Vinte questões críticas para quem pensa comprar um EV

Apesar dos veículos de propulsão elétrica estarem a entrar na opção de cada vez mais portugueses (até porque a autonomia que oferecem é cada vez maior e está a deixar de ser um contra), o mundo da mobilidade elétrica ainda suscita dúvidas no espírito de muitas pessoas.

Em função disso, elaborámos um guia essencial, com base em informações recolhidas junto da Mobi.e, entidade gestora da rede de mobilidade elétrica, e da UVE (Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos), que pretende esclarecer as principais e mais frequentes interrogações em redor das viaturas elétricas.

São 20 perguntas para as quais se apresentam outras tantas respostas.

O que é necessário para poder utilizar um Posto de Carregamento Rápido (PCR) ou um Posto de Carregamento Normal (PCN) instalado em local privado?
O utilizador deve analisar as propostas comerciais apresentadas pelos Comercializadores de Eletricidade para a Mobilidade Elétrica (CEME) e deverá estabelecer um contrato com um dos CEME.
As propostas comerciais dos CEME podem ser encontradas nos seguintes endereços:
– EDP Comercial: https://www.edp.pt/particulares/servicos/mobilidade-eletrica/
– GALP Power: www.galpelectric.pt
– PRIO.E: https://www.prio.pt/pt/mobilidade-eletrica/inicio-de-faturacao_427.html
– GRCAPP: https://www.evaz.energy

Após a contratação, o CEME irá entregar-lhe um cartão para acesso à rede Mobi.e, o qual permitirá o carregamento em qualquer PCR, ou PCN (numa localização privada) da rede.

Com um único cartão emitido por um CEME é possível carregar em qualquer posto de acesso público?
Sim. Um único cartão, emitido por qualquer CEME, dá acesso a todos os postos situados em locais de acesso público.

A Mobi.e continua a emitir cartões?
Sim, embora estes cartões apenas permitem carregamentos nos PCN instalados em espaço público que continuam a não ser pagos. Para carregar num PCR, por exemplo, este cartão não serve, precisando de um cartão de um CEME.

Como utilizador, pode ter-se mais de um cartão emitido por um ou mais CEME?
Sim, é possível ter-se cartões de utilizador de mais de um CEME. Já a possibilidade de se ter mais de um cartão do mesmo CEME depende da política de cada CEME, não existindo qualquer obrigação nesta matéria.

O carregamento num posto rápido pode ser pago diretamente, com um cartão Multibanco?
Não. Todos os carregamentos efetuados nos postos rápidos serão pagos pelos utilizadores ao seu CEME, o qual informá-lo-á dos custos (acumulados até determinado dia) através da fatura que receberá. Nessa fatura, o CEME terá de discriminar as componentes de energia, de utilização dos postos de carregamento e de eventuais incentivos/subsídios do Estado aplicados.

O que é que se paga a um CEME?
Os CEME têm total liberdade para a definição das suas propostas comerciais aos utilizadores, pelo que o utilizador pagará os valores que forem acordados com o seu CEME, à semelhança do que sucede com os operadores de telecomunicações.

No entanto, considerando a legislação, de uma forma genérica, o custo que o CEME irá cobrar engloba três componentes:

  • Serviço do CEME, o qual inclui o custo da energia (energia e tarifas de acesso à rede);
  • Serviço de operação do posto de carregamento definida para cada posto pelo respetivo OPC;
  • Tarifa de Entidade Gestora, que será 0€ nesta fase.

O utilizador paga a Contribuição AudioVisual (CAV), como ocorre com a fatura da eletricidade?
Não. Nas faturas de mobilidade elétrica, os utilizadores não vão pagar CAV (vulgo “taxa RTP”), nem taxa da DGEG (Direção-Geral de Energia e Geologia).

Qual é a tarifa de acesso às redes de energia elétrica aplicável à mobilidade elétrica que se paga?
Como forma de promover a mobilidade elétrica, o Governo aprovou um apoio financeiro que se traduz num desconto aplicável às tarifas de acesso às redes para a mobilidade elétrica em vigor, pagando o utilizador, com o desconto, os seguintes valores:

Valor a pagar de Tarifa de Acesso às Redes 2018 com desconto:
Horas fora do vazio – 0,1027 €/kWh
Horas de vazio – 0,0483 €/kWh

Os períodos horários serão apresentados pelo seu CEME.

Qual é a estrutura do preço praticado pelos operadores nos PCR?
Atualmente, os OPC poderão estabelecer o seu preço com base nas seguintes três componentes:
– Custo fixo por carregamento (taxa de ativação);
– Custo por unidade de tempo (minuto);
– Custo por unidade de energia (kWh).

Estas três componentes podem ser combinadas entre si na determinação do preço final. De salientar que a componente do custo por unidade de energia corresponde a um serviço (de utilização do posto) e não ao fornecimento de eletricidade, que é sempre responsabilidade do CEME.

O preçário afixado no PCR corresponde ao total que vou pagar?
Não. O preço total a pagar pelo utilizador corresponde à soma do custo do serviço de operação do posto (disponibilização do posto pelo OPC) e o custo do serviço disponibilizado pelo seu CEME (em geral, trata-se de eletricidade), de acordo com as condições do contrato celebrado.

Quantos postos de carregamento existem?
Atualmente existem mais de 500 postos de carregamento que correspondem a cerca de 1250 pontos de carregamento (tomadas).

Quanto tempo demora um veículo a carregar?
– Posto de carregamento normal (3,7 kWh): cerca de 6-8 horas para 100% da capacidade;

– Posto de carregamento “semi-rápido” (22 kWh): cerca de uma hora para 80% da capacidade;
– Posto de carregamento rápido: 20 a 30 minutos para 80% da capacidade

A duração do carregamento de uma viatura está sempre dependente das características do carregador on-board da mesma.

Que incentivos existem para a aquisição de um veículo elétrico?
1. Particulares

Veículos 100% Elétricos

  • Incentivo de 3000€ para aquisição de veículo elétrico, sem obrigatoriedade da entrega de um veículo com mais de 10 anos, aos primeiros 1000 veículos (através do Fundo Ambiental), num limite de um veículo por candidato. Não são elegíveis os veículos ligeiros cujo custo total de aquisição seja superior a 62.500€. Para o limite de 62.500€ deve considerar-se o valor de aquisição total do veículo, ou seja, com IVA;
  • Isenção do pagamento do ISV (Imposto sobre veículos) e do IUC (Imposto Único de Circulação).

Veículos Híbridos Plug-in

  • Redução de 75% do ISV para veículos híbridos plug-in que tenham uma autonomia mínima, no modo elétrico, de 25 km, resultante da aplicação da tabela A constante do nº 1 do artigo 7º, do Anexo I do Código do Imposto Sobre Veículos, até ao limite de 562,50€ (de acordo com o Artigo 191º da Proposta de Orçamento de estado para 2017), sem obrigatoriedade da entrega de um veículo com mais de 10 anos.

2. Empresas

Veículos 100% Elétricos

  • Incentivo de 2.250€ para aquisição de veículo elétrico, sem obrigatoriedade da entrega de um veículo com mais de 10 anos, aos primeiros 1000 veículos (através do Fundo Ambiental), sendo que este apoio está limitado a 4 incentivos por candidato. Não são elegíveis os veículos ligeiros cujo custo total de aquisição seja superior a 62.500€. Para o limite de 62.500€ deve considerar-se o valor de aquisição total do veículo, ou seja, com IVA;
  • Isenção de Tributação Autónoma;
  • Isenção do pagamento do ISV (n.º 2 do artigo 2º, do Anexo I do Código do Imposto Sobre Veículos) e IUC (alínea d) do n.º 1 do artigo 5º, do Anexo II do Código do Imposto Sobre Veículos);
  • Dedução da totalidade do IVA das despesas relacionadas diretamente com viaturas de turismo elétricas, incluindo a compra, aluguer, utilização (custo da energia, por exemplo) ou reparação;
  • São aceites como gastos as depreciações das viaturas ligeiras de passageiros ou mistas, na parte correspondente ao custo de aquisição ou ao valor de reavaliação até ao valor total de 62.500€.

Veículos Híbridos Plug-in

  • Redução de 75% do ISV para veículos híbridos plug-in que tenham uma autonomia mínima, no modo elétrico, de 25 km, resultante da aplicação da tabela A constante do n.º 1 do artigo 7º, do Anexo I do Código do Imposto Sobre Veículos, até ao limite de 562,50€ (de acordo com o Artigo 191º da Proposta de Orçamento de estado para 2017), sem obrigatoriedade da entrega de um veículo com mais de 10 anos;
  • Dedução da totalidade do IVA das despesas relacionadas diretamente com viaturas de turismo elétricas, incluindo a compra, aluguer;
  • São aceites como gastos as depreciações das viaturas ligeiras de passageiros ou mistas, na parte correspondente ao custo de aquisição ou ao valor de reavaliação até ao valor de 50.000€;
  • A taxa de Tributação Autónoma sobre encargos com veículos híbridos plug-in varia de acordo com o valor de aquisição da viatura: 5% (para viaturas com custo de aquisição até 25.000€), 10% (para viaturas com custo de aquisição entre 25.000€ e 35.000€) e 17,5% (para viaturas com custo de aquisição igual ou superior a 35.000€).

Ainda, em algumas cidades nacionais (como por exemplo Lisboa) o estacionamento de veículos elétricos não é pago, na via pública.

Existe também um incentivo para a aquisição de bicicletas elétricas, no valor de 250€ (limitado a 1.000 unidades e com fatura que especifique que é uma bicicleta de cidade) e de motos elétricas (valor de 20% do custo do veículo, até ao máximo de 400 euros).

É fundamental ter um ponto de carga em casa?
Não é fundamental ter um ponto de carga em casa, mas é muito recomendado. Uma das vantagens de um veículo elétrico é poder ser carregado durante as horas em que o carro não é utilizado, estando sempre carregado ao sair de casa. Ter de carregar fora de casa sistematicamente não é prático, a não ser que possa ser carregado no local de trabalho ou noutro sítio em que o veículo fique parado por várias horas.

É tecnicamente possível carregar o veículo na garagem?
Sim. Contudo, e por razões de segurança, não é aconselhada a utilização de tomadas convencionais para o carregamento deste tipo de veículos. Existem soluções próprias de carregamento doméstico disponíveis no mercado, sendo que a sua instalação deve sempre respeitar as condições técnicas.

Se viver num prédio com lugar reservado em garagem coletiva deve ter em atenção em assegurar a concordância dos condóminos e garantir que a instalação do posto de carga será efetuada por empresa credenciada na execução da mesma respeitando as condições indicada no ponto 1.

A conta da eletricidade vai aumentar muito por passar a ter um automóvel elétrico?
Carregando em casa irá haver um aumento da conta da eletricidade, mas esse aumento será largamente compensado por uma descida nos gastos com combustíveis fósseis. Carregando em bi-horário, nas horas de vazio o custo por 100 km anda entre os 1,5€ e os 2€ (2,5€-3,5€ em horário normal). Significa um consumo em por cada 100 km percorridos entre 3 e 4 vezes (horas de vazio) menos do que o de um veículo de combustão interna.

A manutenção das viaturas é muito cara?
Ao contrário dos automóveis convencionais, com motor de combustão interna, os veículos elétricos têm uma manutenção muito reduzida: não usam óleos do motor, nem filtros, nem correias. Assim, em vez de irem à revisão a cada 15.000 km para substituir estes componentes, só têm necessidade de o fazer a cada 50.000 km (embora as marcas aconselhem uma ida anual à oficina). Como a maioria das vezes, estes veículos mais amigos do ambiente travam com o motor para recarregar as baterias, não gastam tanto as pastilhas dos travões.

Como fazer se pretender instalar um ponto de carregamento Mobi.e no seu hotel, restaurante ou loja?
Qualquer posto colocado em local de acesso público (em espaço público ou privado) terá de estar ligado à Mobi.e. Os postos de carregamento da rede Mobi.e podem ser instalados tanto em espaços públicos como em espaços privados. No caso de postos de carregamento em espaço privado de acesso público, os postos de carregamento são instalados, disponibilizados, explorados e mantidos por operador licenciado, estando obrigatoriamente ligados à rede de mobilidade elétrica através da Mobi.e.

No caso de postos de carregamento em espaço privado de acesso privativo, a instalação, disponibilização, exploração e manutenção dos pontos de carregamento para uso exclusivo ou partilhado, pode ficar a cargo de operadores devidamente licenciados ou dos próprios detentores, a qualquer título, do local de instalação do ponto de carregamento.

No caso em que a instalação, disponibilização, operação e manutenção dos pontos de carregamento seja a cargo dos próprios detentores, estes poderão também optar por solicitar a integração destes pontos de carregamento na rede da mobilidade elétrica.

A licença de operador para a instalação, disponibilização, exploração e manutenção dos pontos de carregamento é emitida pela Direção Geral de Energia e Geologia (DGEG).

Uma moto elétrica pode ser carregada num ponto Mobi.e?
Sim, a rede de postos Mobi.e disponível no espaço público permite o carregamento de qualquer veículo elétrico, seja de 2 ou 4 rodas, desde que o mesmo seja compatível com tomadas em modo 3 com conectores tipo 2 (Mennekes).

Como é que posso garantir que, enquanto o veículo elétrico está a carregar, ninguém retira o cabo do meu veículo e coloca outro a carregar?
Os postos de carregamento Mobi.e possuem um sistema de bloqueio do cabo que não permite que este seja removido sem que o utilizador faça logout no posto central de carregamento. Por outro lado, sempre que o cabo é desligado do veículo, o sistema corta automaticamente a eletricidade, pelo que não é possível abastecer outro veículo sem que seja feito um novo login.

retirado de motor24

Carros a GPL: quais as vantagens?

 Gasolina, gasóleo, eletricidade ou GPL? Talvez seja uma surpresa para muitos, mas entre custos de aquisição e de utilização o GPL é o meio de propulsão mais económico.

Entre preço de compra (ou transformação) e de uso diário, os automóveis a Gás de Petróleo Liquefeito (GPL) são mais económicos do que qualquer outro veículo, incluindo os elétricos. No que se refere a segurança, os carros a GPL não ficam atrás dos outros tipos de viaturas. E desde 2013 que não têm quaisquer entraves à circulação e estacionamento em espaços fechados.

Custos de utilização de um carro elétrico

Em custos puros de utilização, com um gasto entre 2€ e 5€ por cada 100 km, os veículos elétricos são os mais económicos. O cenário muda quando, a estes valores, se junta o elevado preço de um veículo elétrico face aos carros com motor de combustão. Para baixar o preço, algumas marcas propõem o aluguer das baterias (o componente mais caro de um carro elétrico), por um valor fixo mensal que ronda os 70€. No somatório, feitas as contas, fazer 100 km num carro elétrico custa cerca de 13/14€.

Custos de utilização de um carro a gasolina ou híbrido

Um carro a gasolina é mais barato que o mesmo a gasolina/GPL, seja ele de origem ou transformado (os carros a GPL usam gasolina no arranque e quando se esgota o gás) em cerca de 1000€ a 2500€, mas devido à diferença de preço entre gasolina e GPL (cerca de metade), mesmo com um consumo mais elevado de GPL, o diferencial é amortizado entre dois e três anos.

Custos de utilização de um automóvel a gasóleo

Um veículo diesel gasta menos aos 100 km do que um a GPL, mas a diferença é de cerca de 1€ e, sendo entre 2000€ a 3000€ mais caro que o equivalente a gás, só após década e meia de utilização é que o gasóleo começa a compensar.

GPL: melhor para o seu bolso e para o ambiente

Para além das vantagens económicas, o uso do GPL como combustível é melhor para o ambiente, pois é menos poluente do que a gasolina e o gasóleo, reduzindo as emissões, em cerca de 75% de monóxido de carbono, 10% de dióxido de carbono, 85% de hidrocarbonetos não queimados, 40% nos óxidos de azoto e em de cerca de 85% nos gases que prejudicam a camada do ozono.

Quanto tempo demota a encher um depósito GPL?

O tempo que leva a encher um depósito de GPL é o mesmo que o necessário para encher um tanque com a mesma capacidade de gasolina ou gasóleo. Uma vantagem: quando o depósito de GPL está cheio a 80% o abastecimento é cortado automaticamente por razões de segurança – quantas vezes já aconteceu nos distrairmos e deixarmos transbordar um tanque de gasolina ou de gasóleo?

GPL vs Gasolina: qual tem melhor desempenho e é mais seguro?

Quanto a desempenhos nos carros a gasolina/GPL, não há qualquer diferença perceptível no seu comportamento estejam eles a usar GPL ou gasolina. Por fim, no que se refere à segurança, diz-se com alguma graça que, num carro a GPL, a parte mais perigosa é o tanque da gasolina. Há um episódio verídico a atestá-lo. Há uns anos, num veículo comercial ligeiro transformado para usar GPL, o condutor adormeceu ao volante na A1 e embateu contra um separador, capotando. Não houve danos pessoais, mas a viatura incendiou-se ficando totalmente destruída. Só houve algo que não sofreu danos: o tanque de gás, preparado para suportar até 30 bar de pressão, com uma pressão máxima de 7 bar de gás, e dotado de várias válvulas de segurança que se fecham, impedindo fugas. Aliás, o GPL é inodoro, mas é-lhe adicionado etil mercaptano, que lhe confere um cheiro característico para permitir a deteção de fugas ou de derrame.

A juntar a todas as vantagens oferecidas por um carro a GPL, pode haver ainda outro bónus. Muitas petrolíferas têm campanhas de descontos para fidelizar clientes. Só que esses incidem sobre o litro de combustível e não sobre o valor da venda. Assim com, por exemplo, 6 cêntimos de redução por litro, um litro de GPL que custa 0,74€ tem 8% de desconto ao passo que um litro de gasolina 95, com o preço de 1,44€, usufrui de 4%.

Retirado de kkk

Leasing ou Renting: qual a melhor para comprar carro?

Descubra as diferenças entre Leasing ou Renting e confirme qual a melhor forma de financiamento para a gestão da frota de automóveis da sua empresa.

Leasing ou Renting: qual a melhor para comprar carro?

 

Quer comprar alguns novos carros para modernizar a sua frota, mas tem dúvidas sobre qual a melhor opção de financiamento automóvel. Por norma existem duas soluções que são as mais aconselhadas para quem quer renovar a frota de automóveis da empresa. Descubra entre o Leasing ou Renting qual a melhor opção para si.

Até porque é importante que tenha noção de que manter uma frota de automóveis engloba um custo que nem todas as empresas conseguem suportar. Em termos práticos, a frota de veículos deve ser proporcional ao número de colaboradores, tornando os custos operacionais das empresas mais racionais.

Em Portugal, é comum as pequenas, médias e grandes empresas recorrerem ao renting para adquirir ou renovar a frota. Já os particulares estão cada vez mais inclinados para o leasing.

Leasing ou Renting: quais as diferenças?

A principal diferença entre estas duas modalidades assenta no facto do cliente pretender, ou não, ficar com o bem adquirido no fim do contrato. Seja entre particulares ou empresas, o leasing ou renting assumem-se como alternativas viáveis para quem pretende adquirir um automóvel ou outro bem, sem que para isso tenha de recorrer a um crédito.

O objetivo do leasing passa por comprar um determinado automóvel, enquanto no caso do renting a ideia é poder utilizar o veículo durante um determinado período de tempo. De uma forma geral, o leasing é mais procurado por particulares, enquanto o renting se revela uma boa opção para muitas empresas.

Como escolher?

Antes de decidir entre leasing ou renting é importante informar-se sobre as diferentes ofertas presentes no mercado. Para perceber qual o modelo mais vantajoso, deverá ter em conta o preço de aquisição do automóvel, bem como os custos que a contratação do serviço irá representar para si ou para a empresa.

Fazer várias simulações é indispensável para escolher a melhor opção. Portanto aconselhamos a experimentar um simulador de renting e de leasing. Acredite, que o modelo de financiamento para a sua frota automóvel é bastante importante para equilibrar as suas contas.

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O que é o leasing?

Na realidade, o leasing não passa de um simples contrato de aluguer, com a opção de compra no final por um valor residual que será antecipadamente determinado e acordado entre as partes envolvidas. Este montante inclui o valor do bem, IVA, comissões e taxas de juro. No contrato de leasing é a entidade locadora que adquire o carro escolhido pelo locatário e o aluga durante um prazo determinado. Quando o contrato chega ao fim, o cliente poderá renová-lo por mais um período.

Esta modalidade de financiamento é a opção mais rápida e simples para adquirir uma viatura ou outro bem. No entanto, é preciso esclarecer que não concede o direito de propriedade ao cliente enquanto este não liquidar na totalidade das suas responsabilidades. O leasing automóvel assemelha-se a um contrato de arrendamento com opção de compra no final.

Vantagens do leasing

  • Isenção de imposto único de circulação (IUC) sobre os juros e o financiamento;
  • Benefícios fiscais para empresas;
  • Taxas de juro mais baixas do que noutras opções de crédito automóvel;
  • Flexibilidade de condições a nível de prazo, entrada e valor residual;
  • Vantagens na subscrição de seguro automóvel;
  • Possibilidade de cessão do contrato a qualquer altura;
  • Permite comprar o automóvel no final de contrato.

Desvantagens do leasing

  • Embora o condutor possa utilizar o carro sem restrições, não será o seu proprietário até pagar o valor residual no final do contrato;
  • É pedido que seja feito um seguro de danos próprios, com um prémio mais elevado do que o seguro tradicional obrigatório;
  • É necessário pagar uma comissão em caso de cessação do contrato.

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O que é o renting?

Considere a seguinte situação. Um dos veículos da sua empresa avariou inesperadamente e é preciso substituí-lo com urgência, mas não tem orçamento disponível. O recurso ao renting é uma opção. Esta modalidade de financiamento é um serviço que permite a utilização de bens, em regime de aluguer a longo prazo mas limitado à quilometragem e mediante o pagamento de uma renda mensal.

Pode falar-se em renting para particulares e em renting para empresas. O renting é também conhecido como aluguer operacional de viaturas e o contrato terá um prazo mínimo de aluguer de 12 meses.

Vantagens do renting

  • Permite alugar um carro por um período limitado e mediante uma quilometragem combinada no início do contrato. Se circular mais do que o estipulado paga um adicional por quilómetro, mas se ficar abaixo dos quilómetros que ficaram acordados pode receber o reembolso;
  • A empresa de renting trata das manutenções preventivas e corretivas, seguros, gestão de sinistros, gestão de impostos, viatura de substituição e cartão de combustível (sendo que alguns destes itens podem ser extras);
  • Destina-se a quem não pretende ser proprietário do veículo;
  • À partida, não há limite para o preço do carro;
  • Durante o contrato, paga uma renda pelo automóvel e serviços. No final, o objetivo é entregar o carro e assinar contrato sobre novo veículo. Mas também pode comprar pelo valor comercial ou outro acordado com a locadora no início.

Desvantagens do renting

  • Se necessitar de pedir uma reapreciação do contrato, a meio da vigência do mesmo, é provável que a empresa de renting imponha condições mais duras;
  • No caso de rendas indexadas (e não fixas) existe o risco de alteração do valor. É aconselhável uma renda fixa durante o período de vigência do contrato para o gestor antecipar as necessidades de fundos e evitar o incumprimento;
  • É conveniente ter atenção a algumas cláusulas nos contratos que envolvem número de horas de uso ou quilómetros de utilização máxima, sendo que, quando são ultrapassados os valores, existem penalizações.

Retirado de e-konomista

Entrevista: “Vantagem de preço maior no renting que leasing”

A Fleet Magazine falou com Ricardo Ferreira Reis, o investigador responsável por um estudo encomendado pela Associação de Leasing e Factoring à Universidade Católica, cujas conclusões se souberam em Abril, e tentou perceber como é que as empresas olhavam para estes instrumentos de financiamento.


imagesDos dados do estudo, é possível concluir que o renting é utilizado exclusivamente para veículos?

Não exclusivamente, mas quase. Isso ficou bem claro na análise. Há muito pouca utilização do renting em equipamento industrial. Primeiro, porque há muito pouco investimento em equipamento industrial neste momento, sobretudo de PME. E depois porque há muita hesitação em apoiar a aquisição deste tipo de equipamento em leasing porque estes equipamentos são costumizados e, como tal, não têm mercado em segunda mão. Este tipo de financiamento é muito mais adequado a equipamentos que tenham um grande valor em segunda mão.

A distinção entre leasing e renting foi pouco precisa de início…

Sim, tivemos que fazer um trabalho de análise para saber, dentro dos que utilizavam leasing, quais os que o faziam em leasing e renting ou apenas neste último. As conclusões foram interessantes. Coincidindo com o que era a nossa expectativa, ficou claro que a vantagem de preço é maior no renting apenas do que no leasing e isso prende-se com o tal alto valor residual, que permite antecipar em renting esse beneficio na prestação a pagar.

O facto de se falar sobretudo de automóveis no renting, também condiciona a resposta da adaptabilidade, dado que este tipo de bem é mais adaptável. A dispensa de garantias adicionais também é importante, mas não surpreendente, porque de facto não se dá garantias nenhumas – o veículo é a garantia. Outra vantagem do renting muito referenciada é a agregação de outros serviços. Não era muito importante para o leasing, mas é no renting.

E onde é que estão as desvantagens?

Na facilidade de aquisição. Os utilizadores de renting não consideram a facilidade de aquisição uma vantagem do renting, precisamente porque na prática não se está a adquirir coisa nenhuma. Se eu quiser mesmo adquirir, o renting não é a melhor estratégia. Além disso, os utilizadores não identificam benefícios fiscais no renting. À semelhança aliás do que sucedeu no leasing.

Não há benefícios fiscais directamente, mas há outro tipo de benefícios contabilísticos…

Mas não tem benefícios fiscais por aí. A existir, seria algum tipo de amortizações ou qualquer outra coisa que de facto não tem…

Mas acha que as empresas estão à espera desses benefícios para fazer investimentos em renting?

Não sei, mas se calhar sim. O facto de termos valores tão baixos na utilização do renting pode estar relacionado com a inexistência de benefícios fiscais. No leasing, acontece o mesmo.

Mas isso significa que estes modelos de financiamento não têm vantagens operacionais por si?

Fiscalmente, não têm. Mas operacionalmente, sim. Aliás só isso explica porque é que o mercado não morreu. Ainda há essas outras vantagens.

A teoria financeira dizia que não há diferença nenhuma entre usar leasing ou renting e um financiamento bancário, exceto se houver benefícios fiscais. No entanto, em Portugal, continua a existir leasing e renting, e sem benefícios fiscais. As vantagens, que mantêm o setor vivo, vêm, por exemplo, do montante das prestações do renting ser mais baixo. Esse benefício no montante das prestações mais baixas decorre do renting reter muito valor residual e não de benefícios fiscais.

Agora, as nossas taxas de utilização são muito mais baixas que no resto da Europa, sobretudo nas microempresas. E, porventura, isso até é explicável porque estas são criadas sobretudo para aproveitar benefícios fiscais. Como não há benefícios fiscais no renting, estas empresas não utilizam renting. Nas outras empresas, onde a adaptabilidade do financiamento, onde o provimento de serviços adicionais e as garantias colaterais são mais relevantes que os benefícios fiscais, encontramos padrões de utilização semelhantes ao resto da Europa.

Pode então concluir-se que essas empresas não vão para o leasing e renting porque não percebem benefícios fiscais?

Não os percebem ou não têm mesmo.

E, por outro lado, pode-se concluir que estas empresas não percebem os benefícios diretos do produto em si?

Pode ser que estes benefícios não se adaptem diretamente a este tipo de empresas tão pequenas ou neste período de estagnação económica. E esse é um dos pontos que o estudo procura relevar. São empresas que não cresceram ainda porque não tiveram investimento. E não o tiveram porque as outras vantagens não se lhes aplicam e não há um benefício fiscal. Por exemplo, imagine um pequeno dentista e que pode crescer. Mas, se não tem nenhuma vantagem em promover o investimento no equipamento do consultório, não vai deixar nunca de ser um pequeno dentista.

Isso a nível de investimento de equipamento. E do automóvel?

O que estamos a reparar é que o pequeno dentista já tem o automóvel em renting. Provavelmente, o motivo por que tem a micro-empresa é para ter o automóvel em renting. Não é para ter o equipamento de dentista, que era o que podia estar em renting também. É isso que notamos. O investimento que estas micro-empresas têm em renting é sobretudo em automóveis.

Outra conclusão surpreendente é a nível dos canais de acesso.

Sim, não estava à espera de que houvesse um papel tão preponderante da banca no acesso ao leasing e ao renting.

Mas mesmo tendo todas as hipóteses de financiamento em cima da mesa, quando as empresas vão à banca preferem em maior parte o crédito. Porquê?

Os bancos têm objetivos comerciais e o leasing e o renting não estão numa posição de destaque no banco. Mas estamos no domínio das hipóteses, sem forma de conseguir validar esta conclusão.

E porquê? Terá a ver com a taxa de juro?

Sim, mas as taxas são mais altas no crédito do que no leasing porque os mercados conduziram a que fosse assim. E são-no porque as garantias são muito maiores no caso do leasing e muito menos arriscado. Essa taxa reflete o nível de risco. Numa altura em que os bancos estão a precisar de baixar os níveis de risco, estão a apostar em elevadas rentabilidades no crédito e não na redução do risco que o leasing e o renting trazem.

(originalmente publicado na edição de Setembro da Fleet Magazine. Veja o PDF aqui)