Fomos de Lisboa ao Porto num Tesla de 700 Cv

O Tesla Model S é autêntico míssil… elétrico de 700 CV, com acelerações inacreditáveis para uma berlina de luxo. Mas conseguiremos ir de Lisboa ao Porto? Sim. Contamos-lhe tudo!

Os preconceitos em relação aos automóveis elétricos são ainda muitos e, por vezes, impedem-nos até de perceber os avanços que vão sendo feitos. É verdade que ligar as duas maiores cidades portuguesas num automóvel elétrico ainda não é fácil mas fomos fazer a experiência com um modelo de topo que, teoricamente, até estaria preparado para fazer o percurso de uma vez só: o majestoso Tesla Model S P85 D, o tal de dois motores e 700 CV, com baterias de 85 kWh e autonomia teórica de 480 km.

Saímos de Lisboa com a bateria a transbordar de eletrões e o painel a sossegar-nos com 420 km de autonomia. Bem-comportados, colocamos o cruise control nos 120 km/h precisos e, Porto, aqui vamos nós!

Aqui vamos com uma paciência infinita. Deixar o Tesla rolar a 120 km/h, com um conforto que faz com que pareça parado, o silêncio quase total apenas quebrado pelo rolamento dos pneus 245/45 R19 – há jantes de 21’’ em opção mas baixam a autonomia… –, é um desafio à nossa resistência, quando sabemos do potencial que temos sob o pé direito. O Model S P85 D tem um motor no eixo traseiro com 476 CV e outro no dianteiro com 224 CV. Ao todo são 700 CV e um binário de 931 Nm disponível assim que se “esmaga” o acelerador.

A sensação de uma aceleração a fundo é indescritível – são 1,7 s até aos 60 km/h e 4 s até aos 100 km/h numa berlina de cinco metros e 2240 kg! Para isso temos de alterar, no enorme ecrã central onde tudo se controla, o tipo de aceleração do modo normal que é o Sport para o modo… Insane (Demente). E para os exagerados a Tesla tem ainda o modo opcional… Ludicrous (Absurdo) que, por 11 439 €, corta mais 0,3 s à aceleração 0-100 km/h! Há histórias de clientes que compram estas luxuosas berlinas… para achincalharem amigos que têm maquinões da Ferrari, Porsche e Lamborghini!

Estamos, de facto, num outro mundo quando entramos neste Tesla Model S P85 D. O espaço no habitáculo é mais que generoso, a mala traseira – porque ainda há um bom vão de 150 litros na frente – é gigantesca, o equipamento é cativante e todo o conjunto é de uma utilização extremamente amigável, simples e com notável atenção ao detalhe. Depois, voltamos sempre à dinâmica soberba, com acelerações fulgurantes e um excelente comportamento, graças ao centro de gravidade baixo e às vias largas.

Feitas as “apresentações”, refeitos de uma certa surpresa inicial, começamos a perceber que os números da autonomia baixam muito mais depressa do que sobem os do conta-quilómetros! A autoestrada não é o terreno de eleição dos elétricos… O consumo ronda os 25 kWh/100 km, o que nos deixa de sobreaviso, sabendo que há 300 km para fazer e que os 85 kWh da bateria não são usados na sua totalidade.

Chega o momento de enfrentar outro problema “crónico” para os carros eléctricos: as longas subidas da serra dos Candeeiros que quase que o “mata”: em poucos quilómetros a autonomia cai quase três dezenas. Chegamos à área de Pombal, ao km 164 da A1 e já só temos 160 km de autonomia. Teoricamente daria para chegar ao Porto, estamos a menos de 140 km. Mas da teoria à prática vai uma enorme distância e o chamado «coeficiente de cagaço»: a autonomia exibida não equivale aos quilómetros que vamos percorrer!

O posto lá está e a conclusão é que a viagem ao Porto é perfeitamente possível desde que seja programada para fazer coincidir a hora da refeição com a da passagem pela área de serviço. São 45 minutos para reconfortar o estômago e para voltar a ver no computador de bordo a indicação da autonomia: 445 km de autonomia.

Seguimos viagem e, agora, exageramos passando àquele limite que é público e notório ser o extremo que nos permite salvaguardar a carta… Cruise control nos 140 km/h, o consumo sobe para os 31 kWh/100 km e o Autopilot continua a encantar-nos. Passamos Gaia, chegamos ao Porto. Primeira parte da missão cumprida, tanto mais que a autonomia indicada continuar a permitir-nos chegar, de novo à área de Pombal para nova carga.

No total, foram 684 km, com consumo de 26,4 kWh/100 km. Pondo em perspetiva, se toda a energia consumida tivesse sido paga ao preço do horário em vazio da EDP, a viagem teria ficado em 16 € para combustível!

Se o Tesla Model S consegue fazer Lisboa-Porto de uma só vez? Há quem jure que já o fez mas a uma velocidade de 100 km/h, o que será um verdadeiro teste aos nervos quando se tem um potencial destes sob o pé direito! Acreditamos que o fará, por exemplo, pela estrada nacional, em que não só a velocidade é mais baixa como há muito mais desacelerações que contribuem para maior regeneração de energia. Mas é uma viagem mais incómoda pelo maior volume de trânsito, em especial de camiões. Quanto à opção autoestrada, sim, faz-se muito bem, desde que se organizem bem os horários. E não, não é preciso hotel a meio caminho! Pode perfeitamente ir ao fim da manhã, ter uma longa reunião de trabalho no Porto e regressar ao final do dia tranquilamente, desde que conte com duas paragens de cerca de 45 minutos em Pombal. Isso se não se mais nenhum condutor de automóvel elétrico tiver um horário igual ao seu…

Retirado de motor24

Finalmente, a Tesla está em Portugal

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Depois de vários apelos dos consumidores portugueses, a marca norte-americana de carros elétricos entra hoje no mercado. Para já apenas com encomendas online, e com concessionário no segundo semestre.

É uma promessa cumprida para o guru da tecnologia e CEO da Tesla, Elon Musk, que em maio do ano passado tinha respondido a diversas provocações de potenciais clientes portugueses no Twitter. Então, Musk respondeu com um curto “OK” ao apelo para abrir um centro de assistência técnica e um concessionário da Tesla em Portugal. Ora, passados pouco mais de seis meses, é já a partir desta sexta-feira que a Tesla começa a aceitar encomendas em Portugal. Encomendas online, bem entendido, já que a marca só terá um concessionário propriamente dito lá para a segunda metade deste ano.

Os clientes podem agora visitar o site da empresa norte-americana, entrar no estúdio de design, escolher um dos dois modelos disponíveis – o Model S, um sedan e o primeiro veículo familiar da marca, ou o Model X, um SUV -, definir versões, níveis de acabamento, e escolher opcionais. Após um período de espera entre os três e os quatro meses, o carro será entregue em Lisboa. Aliás, nesta fase, toda a operação da Tesla em Portugal está baseada em Lisboa. Primeiro, com uma equipa que vai organizar testes com potenciais clientes a partir de hotéis na capital, e mais adiante com o tal concessionário, a inaugurar no segundo semestre.

Jorge Milburn, country manager para Portugal e Espanha, revelou ao DN que “a partir de hoje a nossa garantia vai ser válida em Portugal, ou seja, quem comprar um dos nossos carros sabe que tem a manutenção ou qualquer problema com o carro assegurados em Portugal”. Este responsável adianta ainda que a marca californiana vai “ter técnicos da Tesla a trabalhar aqui para resolver qualquer problema que se passe com os carros. Isso é muito importante”.

À parte o concessionário e o centro de assistência técnica, a Tesla conta ter a funcionar três supercarregadores em Portugal até ao final do segundo semestre deste ano – os supercarregadores são locais onde é possível recarregar baterias em modo acelerado: em 30 minutos consegue-se carga para 270 quilómetros de autonomia. Sublinhando que Portugal tem “uma fantástica infraestrutura” para a mobilidade elétrica, Jorge Milburn explica que “a partir das próximas semanas vamos ter o nosso programa de carregamento no destino disponível em Portugal. Este programa significa que os nossos parceiros, como hotéis, centros comerciais, museus, campos de golfe, etc., proporcionam equipamento de carregamento aos nossos clientes quando estão longe de casa”.

Andar num carro elétrico provoca algo que é vulgarmente conhecido como ansiedade de autonomia. Os “sintomas” mais comuns são “tiques” como passar a vida a olhar para o painel de instrumentos, a verificar se a carga restante chega para a viagem que planeámos, ou estar constantemente a pensar onde se vai recarregar as baterias. Ora, a Tesla quer combater essa ansiedade, primeiro com conjuntos de bateria recordistas em capacidade na indústria automóvel, capazes de garantir mais de 600 km de autonomia no Model X (na versão mais cara, com baterias mais potentes, e segundo as regras de teste europeias. Em condições normais de utilização este valor baixa um pouco) ou 565 km no Model X, o SUV. Jorge Milburn sublinha ao DN que “não é preciso um carregador da Tesla para carregar os nossos carros. Podem carregar o carro em qualquer tomada elétrica normal, em casa ou no trabalho, ou então usar a rede de carregadores já disponível em Portugal. Podem carregar os carros aí, por isso já têm ótimas hipóteses para reabastecer os carros, e é muito fácil ter um carro elétrico em Portugal. Os nossos automóveis lideram o mercado no que toca a autonomia, estamos a falar de até 632 quilómetros com um carregamento completo, o que torna possível uma viagem Lisboa – Porto ou de Lisboa para o Algarve. E a Tesla vai continuar a reforçar a infraestrutura de carregamento, para tornar essas viagens mais confortáveis e para ligar Portugal à nossa rede europeia”.

A marca norte-americana olha para os consumidores portugueses e vê sinais de bom negócio. Jorge Milburn cita estudos da empresa e fala dos portugueses como sendo grandes adeptos das novas tecnologias e “também amantes do desporto automóvel e de belos automóveis. Vemos aqui carros fantásticos que não vemos normalmente noutros países europeus, por isso acho que os nossos carros vão realmente agradar a esse público. Sobretudo porque os nossos carros não são apenas carros elétricos. São os mais rápidos do mundo, são os mais ligados do mundo, são os carros com os sistemas de assistência à condução mais avançados do mundo. A Tesla produz o carro mais rápido do mundo dos 0 aos 100 km/h, e é um veículo elétrico. Os nossos carros agradam a uma audiência muito vasta, e achamos que há muito apetite no mercado português”.

Outro ponto que traz a Tesla para Portugal passa pelo esquema de incentivos fiscais à compra de veículos elétricos, sobretudo para as empresas. O responsável da marca para a península ibérica já fez as contas e garante que “se estiver à frente de uma empresa e comparar um Tesla com outro carro do mesmo preço mas com motor diesel ou gasolina, o custo de um Model S ou de um Model X é cerca de 50% mais baixo. Quando entramos em linha de conta com a tributação autónoma, com o ISV, o IUC e a depreciação acelerada do capital, quando olhamos para esses incentivos, é mesmo um belo negócio comprar um Tesla. E não estamos a falar apenas de um carro elétrico, mas sim de um dos melhores carros do mundo (risos)”.

A Tesla recusa antecipar um objetivo para as vendas neste primeiro ano em Portugal, e não quer muita conversa à volta do novo Model 3, um familiar compacto que vale 35.000 euros nos Estados Unidos, mas que só entrará em produção na segunda metade deste ano. O objetivo é concentrar o esforço de comunicação nos dois modelos que os clientes podem começar a encomendar já hoje – o Model S e o Model X. Os preços? Bem, não são propriamente acessíveis. O Model S, um sedan com aspeto e performances desportivas, começa nos 76.300 euros. O Model X, um pequeno jipe/monovolume com tração elétrica às quatro rodas, seis ou sete lugares, e umas portas curiosas – a Tesla chama-lhes asas de falcão – que dão um acesso folgado às duas filas traseiras de bancos, pode comprar-se a partir dos 107.000 euros.

Retirado de DN

Tesla revela novo tarifário

A Tesla já tinha informado que a utilização dos seus supercarregadores iria deixar de ser gratuita. Agora, revelou os preços a pagar por quem exceda a potência anualmente oferecida aos novos clientes.

Quem já possui um Tesla, continuará a ter electricidade gratuita, mas a partir da próxima 2ª feira, os novos clientes vão passar a pagar as recargas nos supercarregadores da marca, mas a preços muito inferiores aos da gasolina, gasóleo ou mesmo GPL.

A partir de segunda-feira, quem encomendar um novo Tesla deixará de ter, como até aqui, acesso totalmente gratuito aos seus supercarregadores (benefício que se mantém para quem já for proprietário de um dos seus veículos). Afirmando que o objectivo desta medida nunca será tornar esta uma actividade lucrativa, antes recuperar parte dos custos que a mesma acarreta, e ajudar à expansão da sua rede de supercarregadores, a marca californiana acaba de revelar a estrutra dos preços a pagar pela respectiva utilização.

Desde logo, convém salientar que os novos proprietários de um Tesla continuarão a poder carregar gratuitamente os seus veículos, mas passando a ter um limite de 400 kWh anuais (o que, em média, dará para percorrer cerca de 1610 km), renováveis a cada doze meses volvidos sobre o dia da respectiva entrega, mas não transferíveis para o período seguinte caso não sejam utilizados na totalidade. Se o automóvel mudar mãos, este crédito será resposto à data em que o mesmo passe para o novo dono.

Quanto aos preços a aplicar caso sejam superados os referidos 400 kWh, naturalmente que variam consoante a região em que o veículo seja carregado, e dos preços da energia aí aplicados (nos EUA, em função do estado em que tal ocorra; no estrangeiro, o tarifário é definido em função do país). Segundo informação avançada pela Tesla, uma viagem entre São Francisco e Los Angeles custará cerca de 15 dólares, a ligação entre Los Angeles e Nova Iorque cerca de 120 dólares, e ir de Paris a Roma (cerca de 1500 km) custará, em electricidade, aproximadamente 60 euros, menos de metade do que gastaria um veículo similar a gasóleo.

Recorde-se que a Tesla possui já 795 estações de supercarregadores a nível global, cada um, por norma, com seis a oito postos de carregamento, capazes de, em meia hora, assegurar em média uma autonomia na casa dos 275 km. Em Portugal, mantém-se o plano de serem instalados os três primeiros supercarregadores da Tesla ainda este ano, em princípio nas imediações de Lisboa, Porto e Faro.

Retirado de observador

Tamai. Esqueça a Tesla. Este português quer passar o seu carro para elétrico

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Pedro Lopes transformou um Ford Capri de 1973 num automóvel 100% elétrico. Do seu projeto nasceu a oficina Tamai, especializada em restauro.

Não há nenhum curso superior de Engenharia Mecânica, mas há um grande saber adquirido ao longo dos anos. “O meu pai era mecânico de aviões e nos tempos livres reparava carros. Eu acompanhava-o muitas vezes, desde muito pequeno, 7 ou 8 anos. Fiquei a saber tudo o que precisava”, conta Pedro Lopes, que, em 2001, decidiu comprar um carro antigo num ferro-velho. Marca Ford. Modelo Capri. Ano 1973.

“Estava irreconhecível. Restaurei-o todo em 2004. Ficou um carro para pequenas voltas, mas a minha ideia era tê-lo para o meu dia–a-dia. Só que não era viável.” Problema? Alimentar a máquina. Reparou que, mesmo para trajetos curtos, gastava demasiado em combustível. Foi nessa altura que começou a pesquisar a internet. “A ideia inicial não era transformá-lo num carro elétrico. Era só arranjar um motor mais moderno. Mas acabei por ir dar a uma página de um automóvel movido a eletricidade, e fiquei impressionado.”

De pesquisa em pesquisa, Pedro quis saber como seria possível modificar o seu Ford e torná-lo 100% elétrico. No Estados Unidos há várias pessoas que transformam viaturas clássicas, e o português foi estudando a melhor maneira de fazer o mesmo. Começou a encomendar peças. “O meu carro tem componentes australianos, um motor búlgaro e um controlador chinês. A pesquisa foi feita em 2012, comecei a transformá-lo em janeiro de 2013 e terminei em janeiro de 2014.

O investimento foi de cerca de 15 mil euros, sem contar com as horas de trabalho, que Pedro Lopes calcula que tenham sido mais de mil. “Eram cinco horas por dia, quase todos os dias. Eu nem dormia, quase.” Nunca largou o seu emprego, no ramo da informática e das telecomunicações.

Um ano depois, tinha o carro pronto. É um automóvel com uma autonomia de 50 quilómetros. “Só dá para isso porque foi feito com baterias baratas. Com baterias de lítio ficava muito mais caro. Neste momento, tem 16 baterias que lhe dão para a rotina. Ir de casa para o trabalho ou ir buscar as minhas filhas à escola.” O carregamento total das baterias demora quase um dia.

O passo seguinte era transformar o projeto num negócio. Com essa intenção, Pedro Lopes foi fazer uma pós-graduação em Gestão e apresentou um plano de negócios ao diretor da escola. “Ele não achou que seria muito rentável. Mas também não ligava muito a carros e eu acredito que este seja um negócio mais de nicho”, justifica Pedro.

Ainda assim, foi adaptando o seu plano e decidiu começar com um passo mais simples. Junto com a mulher, decidiu abrir uma oficina em Loures, para restauros de automóveis. “Chama-se Tamai porque ela é Tânia e os meus amigos tratam-me por Maia. Para já só está ela aqui, eu continuo com o meu trabalho. Só por uma questão de segurança. Ganho bem e vivemos os dois do meu salário.” De todas as pessoas que trabalham na oficina, Tânia é a única que não recebe, de forma que todo o lucro da empresa seja para reinvestir e fazê-la cresce.

Para já nos restauros de carros, Pedro Lopes acredita que, mais dia menos dia, a Tamai vai acabar por fazer transformações de automóveis para elétricos. “Não é um negócio de grande escala. Ninguém vai querer transformar um Opel Corsa, porque terá de investir muito dinheiro e, no final, será sempre um Opel Corsa, um carro que vale pouco. Mas acredito que, para viaturas clássicas ou de coleção, com motores que utilizam muito combustível, é uma opção bastante viável”, assegura.

O seu único problema diz respeito a questões burocráticas. Um importante fator de desmotivação foi o atraso no processo de regularização do seu Ford Capri. “O carro está todo conforme a legislação portuguesa e europeia, mas preciso de uma empresa que mo certifique, para que o Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) o deixe andar com ele na rua. Essa parte está ser o mais difícil. O processo é todo muito burocrático. Está há anos a arrastar-se”, lamenta.

Fora isso, tudo o resto corre de feição. “O negócio está ótimo. Sustenta-se sozinho e até tem crescido. Eu acredito que, em algum momento, vou largar o meu emprego e vir para aqui de vez. Nem que seja daqui a dez anos.” No sonho do fazedor, nessa altura, a Tamai já será bem maior, ele já se poderá dedicar por completo à oficina e, claro, o negócio da transformação de carros em viaturas 100% elétricas já será uma realidade.

Retirado de dinheirovivo

Nikola One: conhece o «Tesla» dos camiões

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Desde que apresentou o concept futurista e inovador no mês passado, a start-up americana Nikola Motor Company já terá conseguido angariar mais de 10 milhões de dólares em depósitos, graças a cerca de 7000 pré-reservas.

Mas o que tem este camião de especial?

O Nikola One é um camião de tracção integral com seis motores elétricos (dois para cada eixo), com o total de 2000 cv de potência e 5016 Nm de binário máximo. Graças a uma turbina de gás natural que carrega as baterias automaticamente e a um sistema de travagem regenerativa, este modelo tem uma autonomia estimada em 1930 km. As acelerações dos 0 aos 100 km/h cumprem-se em cerca de 30 segundos (com carga), duas vezes mais rápido que um modelo semelhante a gasóleo.

“A nossa tecnologia está 10 a 15 anos à frente de qualquer outra proposta em termos de eficiência, consumos e emissões. Somos a única marca a ter um camião quase com emissões zero que mesmo assim é mais performante que os concorrentes a diesel. Ter mais de 7000 reservas cinco meses antes da cerimónia de apresentação é algo sem precedentes.”

Trevor Milton, CEO da Nikola Motor

A Nikola Motor Company já desenvolveu inclusivamente um programa de “leasing” com o custo de 5000 dólares por mês (4450 euros) e que inclui quilometragem e combustível ilimitados, garantia e manutenção. A apresentação oficial do protótipo está agendada para o próximo mês de dezembro.

Retirado de razaoautomovel

Tesla. Estrela dos carros elétricos prepara superexpansão em 2016

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Empresa californiana abriu mais de 1600 vagas de emprego e explora novas localizações, à medida que prepara o lançamento do Model 3, que terá um preço mais acessível.

Poucos minutos depois da abertura de portas, às dez da manhã, já há clientes a rondarem um Model S azul-escuro que faz figura à entrada da loja. Na parte de trás, há outra versão num vermelho arrojado, e pelo meio um chassis que mostra as entranhas deste supercarro elétrico. O rodopio de interessados é invulgar para uma marca de nicho, com uma história muito recente e preços que começam nos 70 mil dólares. Há um fascínio estranho associado à Tesla, na proporção inversa do desdém por outras alternativas verdes. Numa altura em que os preços da gasolina atingem mínimos de sete anos, as vendas de carros elétricos estagnaram no mercado norte-americano, mas não para a Tesla. Brilha, e de que maneira, a menina dos olhos de Elon Musk, o carismático CEO

“Todos os carros são feitos à medida e por encomenda”, explica Edison Mellor-Goldman, o dono do espaço da Tesla na histórica promenade de Santa Mónica, Los Angeles. É por isso que ali há apenas dois carros e um chassis em exposição, todos do Model S. A Tesla Motors também não tem muito mais para mostrar. O Model X, um SUV de luxo revelado no final de setembro, só há pouco tempo começou a chegar aos primeiros compradores. O Roadster, um desportivo de dois lugares que marcou a estreia da marca nas estradas do mundo em 2008, custava 101 mil dólares e deixou de ser vendido três anos depois

O grande salto

A Tesla não é uma marca para as massas, mas tornou o carro elétrico desejável. Apesar de se posicionar no segmento premium, vendendo por mais do dobro do preço de outras opções como o líder mundial Nissan Leaf (cerca de 30 mil euros) ou o BMW i3 (a partir de 38 250 euros), está na liderança do mercado norte-americano e em segundo no global do segmento. Este mês assinala a entrega de 100 mil sedan Model S desde o lançamento, em 2012, e agora Elon Musk está mais ambicioso. Acaba de abrir 1649 vagas para várias localizações no mundo, procurando desde engenheiros a designers de loja, numa vaga maciça de contratações que espelha o salto pretendido para o próximo ano. Na Europa, há ofertas em Amesterdão, Munique, Geneva, Paris, Londres, Antuérpia, Berlim, Oslo, e a lista continua. É que a empresa, cotada em bolsa desde 2010, precisa de crescer e sair do vermelho. As vendas em 2014 atingiram os 3,2 mil milhões de dólares, uma subida de 60%, mas os prejuízos cresceram para 294 milhões. Aliás, a Tesla nunca teve lucros anuais desde que foi fundada, em 2003

Entra aqui o próximo carro, Model 3, que será lançado em 2017 com um preço mais baixo, 35 mil dólares. Musk acredita que pode vender entre 300 e 400 mil por ano, acumulando com 100 mil Model S e Model X para chegar a meio milhão de carros/ano. Para pôr isto em perspetiva, nos primeiros nove meses de 2015 a líder global Toyota vendeu 7,49 milhões de unidades. As previsões de quantos carros elétricos terão sido vendidos no mundo em 2015 oscilam entre 430 e 600 mil, com Estados Unidos, China e Japão à cabeça

O preço não tem sido um obstáculo nas vendas do Model S, diz Edison Mellor-Goldman. Este espaço, que não é bem um stand (é uma espécie de Apple Store para carros), vende cerca de dez Model S por dia, às vezes quinze, e as várias configurações podem levá-lo até aos 90 mil dólares. “Vendemos mais carros do que aqueles sacos de viagem”, refere o gerente, apontando para as prateleiras de merchandising onde também se encontram t-shirts, bonés e outros acessórios. É espantoso ver esta seleção de brindes aqui, fazendo lembrar marcas de culto como a Ferrari. Edison explica: “esta zona [Santa Mónica] é turística, e temos muitos estrangeiros que vêm por curiosidade. Como não têm Tesla nos seus países, levam um boné ou camisola porque gostam da marca

Interesse em Portugal

É o caso de Portugal, onde não há Tesla mas há compradores, diz ao Dinheiro Vivo um responsável europeu de comunicação da marca, Charles Delaville. “Temos detentores de Model S em Espanha e Portugal. Mas não revelamos números de vendas por mercado”, refere. Quem vive na Península Ibérica pode comprar um Model S online, “mas terá de o ir buscar à Holanda, à nossa fábrica de montagem em Tilburg”.

É possível que, com o Model 3, as coisas mudem. “No que respeita a expansão, continuamos a explorar novos mercados e localizações, mas não temos nada para anunciar neste momento.” Essa expansão da empresa tem acelerado nos últimos três anos. Está em 19 países, incluindo vários na Europa, mas a crise deve ter pesado na decisão de não investir no mercado ibérico, cujo poder de compra é inferior a países mais pequenos como Suíça e Luxemburgo. O centro de suporte e operações na Europa está na Holanda, e está também em crescimento a rede de estações de supercarregamento. São locais onde os donos de um Tesla podem carregar a bateria de graça e com mais rapidez do que em casa: em vinte minutos, carregam metade. O Model S vem com duas opções de bateria, 60 kilowatt/hora (70 mil dólares) ou 85 kW/hora (80 mil dólares). Cada carga dá para 380 a 430 quilómetros, o que só coloca problemas em viagens longas. É por isso que há estações Tesla nas auto-estradas. Ninguém ficará apeado só por ter um carro elétrico, assegura Edison.

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Luxo em versão eléctrica

A Tesla conseguiu algo que ninguém tinha sequer tentado – tornar os carros 100% elétricos, zero emissões, em objetos de desejo, com potência, a rivalizar com os melhores modelos de luxo. Primeiro um desportivo, depois um sedan, agora um SUV. Todos com autonomia superior aos rivais. O Morgan Stanley chamou-lhe “a construtora automóvel mais importante do mundo

A boa impressão começa no design, antes mesmo de entrar e experimentar o motor elétrico. Não tem chaves nem botão start, basta pressionar de forma ligeira o puxador e a porta abre-se como Sésamo. Lá dentro, é mais espaçoso do que parece. O computador de bordo assemelha-se a um iPad gigantesco (tem 17 polegadas) e todo o software do carro é controlado neste painel. “O formato é muito aerodinâmico, muito elegante. Não tenho um, mas conduzo vários regularmente”, diz Edison Mellor-Goldman. Vai dos 0 aos 100 em 2.8 a 5.2 segundos, conforme a versão, e está equipado com piloto automático. Tem duas bagageiras, uma à frente e outra atrás. Velocidade máxima? 225 a 250 km/h.

É preciso entrar num Model S para perceber o sucesso que tem feito. No terceiro trimestre de 2015, a Tesla entregou 11 603 carros, e só em novembro vendeu cerca de 3200, quase o triplo em relação a novembro do ano passado. Isto numa altura em que as vendas de carros elétricos estão a cair 20% nos EUA, onde a gasolina está barata; no mercado de ligeiros, a fatia dos elétricos caiu para 2,2%, a mais baixa desde 2011 e depois de um pico de 3,7% em novembro de 2013. Muitos clientes preferem agora comprar um SUV eficiente – representam um terço do total do mercado – precisamente o segmento em que se posiciona o novo Model X, apesar do preço avultado, entre os 81 200 e os 15 1450 mil dólares.

E agora?

Apesar dos avanços, a Tesla tem tido uma aventura conturbada – ainda não cumpriu uma única data de lançamento, nunca teve lucros e o fundador e criador da empresa, Martin Eberhard, foi afastado de forma pouco clara numa disputa com Musk, que entrara como investidor, que acabou com processos em tribunal. Há quem acredite que a Tesla nunca sairá do nicho dos carros de luxo e não conseguirá revolucionar um mercado em necessidade de disrupção. Há quem diga que o software é a verdadeira inovação da construtora – que também desenha e produz componentes de carros elétricos para outras marcas, como a Daimler e a Toyota

Em breve também haverá mais concorrência: a Mercedes está a desenvolver um rival do Model S, para sair em 2018, e este ano apareceu na Califórnia uma misteriosa nova empresa no segmento. A Faraday Future, que se chegou a julgar ser a Apple disfarçada, é um investimento do milionário chinês Jia Yueting e planeia montar a sua fábrica no Nevada – onde a Tesla tem uma fábrica de baterias. O primeiro vislumbre do carro-conceito da Faraday será apresentado no Consumer Electronics Show, em janeiro, onde a Tesla deverá marcar presença. Afinal, tudo isto está na intersecção entre engenharia e tecnologia – e não é por acaso que Elon Musk, um dos cofundadores do PayPal, é um dos filhos pródigos de Silicon Valley.

Retirado de dinheirovivo

Tesla Model S multado por emissões poluentes

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Em Singapura, um proprietário de um carro elétrico Tesla Model S, Joe Nguyen, foi surpreendido com uma multa de quase 10 mil euros devido a emissões poluentes acima do permitido, depois de fazer uma inspeção obrigatória.

Segundo a Auto Home, a regra de avaliação é feita com base no modelo R101, utilizado na União Europeia, que se baseia no consumo de energia, seja em carros com motor a combustão ou híbridos plug-in. O cálculo equivale a 1 watt/hora, ou seja, 0,5 gramas de dióxido de carbono convertido em consumo de energia.

Neste caso, o Model S consume 444 watt por quilómetro ou 222 g/km de CO2. Estes valores não diferem muito de um desportivo a gasolina ou mesmo de um Diesel de alta cilindrada.

Surpreendido, o CEO da Tesla, Elon Musk, já entrou em contacto com o primeiro-ministro de Singapura, que promete investigar o caso.

Retirado de autohoje