Todos os centros de inspeção têm de fotografar os carros examinados

Desde 1 de agosto que os centros de inspeção têm de respeitar um conjunto de aspetos, entre os quais a fotografia automática dos veículos inspecionados.

Considerando que a Portaria nº 221/2012, veio introduzir um conjunto de requisitos técnicos com vista a adaptar ao progresso técnico as inspeções realizadas pelos centros de inspeção, os centros passaram a estar notificados a cumprir as diretrizes definidas na presente Deliberação, desde 1 de agosto de 2018.

Entre essas diretrizes consta a utilização do detector de fugas de gases de combustíveis, assim como a integração automática dos resultados dos ensaios realizados, segundo deliberação do Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT).

Outra obrigatoriedade é a fotografia automática do carro sujeito a exame.

Assim, “considerando que a utilização de sistema óticos de reconhecimento da matrícula e a integração automática no registo informático da inspeção, dos resultados dos ensaios realizados, constituem um elemento de melhoria do controlo e da transparência da actividade” dos centros de inspecção e levando ainda em conta que já se encontra ultrapassado o prazo estabelecido pela Lei nº 11/2011 para a adaptação dos centros de inspeção existentes à Portaria 221/2012, de 20 de julho, o Conselho Diretivo do IMT, em reunião realizada em 11 de julho de 2018, deliberou que os centros de inspeção técnica de veículos devem respeitar nas inspeções realizadas os seguintes itens:

  • a) integração automática dos resultados dos ensaios realizados;
  • b) aquisição automática da fotografia dos veículos inspecionados;
  • c) aquisição e registo do número de rotações do motor e da sua temperatura no âmbito do ensaio do sistema de controlo das emissões poluentes;
  • d) utilização do equipamento fotométrico na medição do índice de transmissão luminosa dos vidros;
  • e) possibilidade de utilização do frenómetro para veículos pesados para veículos com tara superior a 1,5 toneladas;
  • f) utilização do detetor de fugas de gases combustíveis;
  • g) utilização da simulação de carga, no ensaio do sistema de travagem dos veículos pesados.

Todos estes aspetos começaram obrigatoriamente a ser aplicados desde 1 de agosto, com exceção do previsto na alínea g) que “entra em aplicação após aprovação e publicação em Diário da República, da deliberação prevista no Decreto-Lei nº 144/2012, na sua última redação, que estabelece a nova classificação de deficiências”.

Retirado de circula seguro

Anúncios

Energy Observer. Primeiro barco do mundo a hidrogénio chega a Lisboa

O navio é autónomo em energia e não tem emissões de gases com efeito de estufa nem de partículas finas. Está a dar a volta ao mundo e fica ancorado na Doca da Marinha, em Lisboa, até 30 de setembro. Pode ser visitado e tem uma exposição interativa

Chama-se Energy Observer, é um laboratório flutuante de investigação sobre as alterações climáticas movido a hidrogénio, partiu de Saint-Malo, em França, em junho de 2017 e já percorreu mais de 9000 milhas náuticas (16.668 km). A expedição chama-se “Odisseia para o Futuro” e tem a duração de seis anos, com 101 escalas previstas em 50 países. O seu objetivo é dar a volta ao mundo, tendo chegado a Lisboa depois de fazer escalas em Veneza e Valência. O navio já passou por 13 portos de Itália, França, Espanha e Marrocos.

A expedição, apoiada pela França, Comissão Europeia, UNESCO e IRENA (Agência Internacional de Energia Renovável), está a testar em condições extremas um sistema inovador a nível mundial, baseado na produção, gestão e armazenamento inteligente de energia. O sistema combina três fontes de energia renovável – solar, eólica e hidráulica – com o duplo armazenamento de baterias a hidrogénio produzido a bordo por eletrólise da água do mar (decomposição em oxigénio e hidrogénio por efeito da passagem de uma corrente elétrica).

O navio é, assim, autónomo em energia. Além disso, não emite gases com efeito de estufa nem partículas finas para a atmosfera e, segundo a embaixada francesa em Lisboa, antecipa “as futuras redes energéticas livres de carbono, descentralizadas e digitalizadas, com a ambição de tornar o sistema aplicável em terra, numa grande escala”. O hidrogénio é o elemento químico mais abundante no Universo e liberta quatro vezes mais energia do que o carvão, três vezes mais do que o diesel e 2,5 vezes mais do que o gás natural.

Victorien Erussard, fundador do projeto, afirma que “no mar, a bordo do Energy Observer, precisamos tanto de Sol como de vento e de baterias de hidrogénio. Tal como em terra”. As energias alternativas e o seu armazenamento “são complementares e devemos aprender a fazê-las trabalhar em conjunto”, porque “não há uma solução única contra o aquecimento global mas, sim, uma infinidade de possibilidades”.

UE LANÇA “INICIATIVA HIDROGÉNIO”

Entretanto, Portugal subcreveu esta terça-feira com os outros estados-membros da União Europeia a “Iniciativa Hidrogénio”, destinada a promover o desenvolvimento da tecnologia do hidrogénio tendo em vista a descarbonização de diversos setores de atividade, como a energia e os transportes.

A declaração conjunta da iniciativa foi assinada durante o Conselho Informal de Energia, que decorreu em Linz, na Áustria, onde Portugal esteve representado pelo secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches. “Os signatários desta declaração destacam que perante o desenvolvimento contínuo da automação e da digitalização na indústria, o setor da energia deve preparar-se para os novos desafios ao nível da procura, uso, transporte e armazenamento”, diz o documento.

Assim, “a investigação e inovação no campo da tecnologia do hidrogénio deve ser intensificada”, de forma “a promover o potencial do hidrogénio para o abastecimento de energia limpa, eficiente e segura para todos os utilizadores em toda a Europa”, que reduza “a dependência da UE das importações de fósseis”. Os signatários comprometem-se também “a desenvolver soluções de armazenamento para o hidrogénio renovável”, tanto de curta como de longa duração, e a investigar como fazer a integração gradual do hidrogénio renovável nas redes de gás natural.

Retirado de expresso

E o futuro chegou: os primeiros comboios a hidrogénio do mundo moram na Alemanha

Vapor e água: são estas as únicas emissões dos dois comboios Coradia iLint, que têm depósitos aptos a realizar 1000 quilómetros. Os governos de Reino Unido, Holanda, Dinamarca, Noruega, Itália e Canadá terão demonstrado a intenção de colocar este tipo de comboios nas linhas nacionais até 2022

As cidades alemãs Cuxhaven, Bremerhaven, Bremervoerde e Buxtehude vão respirar melhor a partir desta segunda-feira. Os comboios tradicionais a gasóleo que percorriam aquela linha no norte do país foram substituídos por outros amigos do ambiente, que têm o hidrogénio como combustível, conta o “The Guardian”.

Vapor e água. São estas as únicas emissões dos dois comboios Coradia iLint, os primeiros do mundo a hidrogénio, que vêm equipados com células de combustível que produzem eletricidade através da mistura entre hidrogénio e oxigénio. O que é produzido em excesso fica armazenado em baterias de lítio, explica o diário britânico. Cada depósito permite percorrer cerca de 1000 quilómetros.

Os comboios são fabricados pela Alston e o respetivo presidente executivo garantiu que a empresa está pronta para produzir em massa. Outros 14 comboios juntar-se-ão àqueles dois e chegarão ao estado da Baixa Saxónia até 2021, sendo que as encomendas deverão alastrar a todo o território. A Alston diz que são comboios mais caros de adquirir, mas garante que compensa no dia a dia.

Os governos de Reino Unido, Holanda, Dinamarca, Noruega, Itália e Canadá terão demonstrado a intenção de colocar este tipo de comboios nas linhas nacionais até 2022.

retirado de expresso

Carregar veículos elétricos começa a ser pago a 1 de novembro

A Galp optou por desligar completamente alguns Postos de Carregamento Rápido para evitar riscos de segurança relacionados com a deterioração de algumas fichas de carregamento

O secretário de Estado Adjunto e do Ambiente José Gomes Mendes anunciou que o fase comercial da rede de carregamento pública para veículos elétricos vai arrancar em novembro

Será mais tarde do que o previsto – apontava-se para até ao final do verão – mas o pagamento dos carregamentos de veículos elétricos na rede pública vai mesmo avançar. Quem o garantiu foi José Gomes Mendes, secretário de Estado Adjunto e do Ambiente, durante o Lisbon Mobi Summit, que decorre em Lisboa.

No entanto, ainda não foram indicados quaisquer valores para os carregamentos. segundo José Gomes Mendes, citado pelo Motor24, os tarifários dos operadores serão revelados durante outubro. Recorde-se que a rede Mobi.e prevê a interoperabilidade dos postos de carregamento e cartões, o que significa que caberá aos utilizadores escolherem o operador de acordo coma as condições que considerem mais favoráveis.

Os representantes dos utilizadores de veículos elétricos têm vindo a exigir o início do pagamento de modo a garantir uma utilização mais racional da rede bem como a instalação de mais postos.

Retirado de exame informática

Londres só vai autorizar carros elétricos no centro da cidade

O governo local de Londres vai fazer uma experiência em que vai banir todos os automóveis com motor a gasolina e Diesel do centro histórico da cidade, oficialmente conhecido como Cidade de Londres ou “The City”. A nova Zona de Baixas Emissões vai afetar grande parte do centro histórico, e apenas carros 100 por cento elétricos ou híbridos plug-in, que podem fazer grandes percursos na cidade sem ligar o motor a gasolina, vão ser autorizados a circular nesta zona.

Londres já estava a planear introduzir esta Zona em abril de 2019, mas a responsável camarária pela qualidade do ar da cidade revelou que não era suficiente para se manter dentro dos limites máximos autorizados de poluição. A Zona de Baixas Emissões foi originalmente concebida para manter os veículos a gasolina mais antigos que Euro 4 e Diesel mais antigos que Euro 6 longe do centro da cidade, obrigando os seus proprietários a pagar uma taxa diária de 12,50 libras, em efeito durante 24 horas por dia e sete dias por semana. A nova zona “zero” destina-se apenas ao centro histórico, e vai implicar a proibição total a qualquer carro que não possa circular em modo elétrico.

Esta proibição deverá ser aplicada apenas a veículos de passageiros, e não deverá afetar os veículos comerciais ou transportes públicos, que não foram mencionados. A frota de táxis já é elétrica, mas muitos dos autocarros de dois andares ainda circulam unicamente a gasóleo, e o programa de substituição da frota originalmente proposto por Boris Johnson foi interrompida por Sadiq Khan.

Durante a fase de experiência, vai ser medido o quanto isto afeta o acesso dos cidadãos locais e quanto pode melhorar a qualidade de vida na cidade. A Cidade de Londres costuma ter acumulação de óxidos de azoto na atmosfera que é superior ao dobro permitido pela União Europeia.

Retirado de motor24

Carros antigos importados pagam mais IUC do que veículos nacionais

(Pedro Zenkl/Agencia Zero)

Tribunal de Justiça Europeu entende que Portugal está a favorecer a venda de veículos usados nacionais.

Os carros antigos importados após 1 de julho de 2007 estão a pagar mais IUC (imposto de circulação) do que os veículos nacionais com a mesma idade. Vários contribuintes já ganharam ações judiciais relativas a esta situação e até o Tribunal de Justiça Europeu já foi chamado a pronunciar-se sobre esta matéria.

O tribunal europeu entende que Portugal está a ir ao arrepio das disposições fiscais europeias, ao não ter em conta a data da primeira matrícula dos automóveis, adianta esta quinta-feira o jornal Público. Em Coimbra, por exemplo, foi interposta uma impugnação judicial do pagamento do IUC sobre um automóvel importado do Reino Unido matriculado pela primeira vez em 1966 e importado para Portugal em 2013.

O Código do IUC determina que os veículos ligeiros de passageiros estão isentos de IUC se tiverem sido matriculados em Portugal antes de 1981; se os veículos forem matriculados noutros estados europeus antes desta data, estão sujeitos a impostos. Mas o montante a pagar é muito mais baixo do que se forem veículos importados depois de 1 de julho de 2007.

O tribunal europeu entende que Portugal está a favorecer a venda de veículos usados nacionais e, ao mesmo tempo, a desencorajar a importação de veículos usados idênticos. A revisão do IUC está nas mãos do Ministério das Finanças.

Retirado de dinheirovivo

Governo limita `carsharing` e `bikesharing` a 12 horas e 100 Km

Governo limita `carsharing` e `bikesharing` a 12 horas e 100 Km

O Governo limitou a 12 horas e a 100 quilómetros (Km) a atividade de partilha de automóvel (‘carsharing’) e bicicleta (‘bikesharing’), segundo o novo enquadramento legal hoje publicado e que entra em vigor em Dezembro deste ano.

O novo diploma, que entra em vigor daqui a 180 dias, altera a legislação de 2012 que regula as condições de acesso e de exercício da atividade de aluguer de veículos de passageiros sem condutor, conhecida por rent-a-car, passando a incluir outro tipo de contrato de locação de veículos: o regime de partilha de veículos, conhecido por ‘sharing’.

As atividades de ‘sharing’, passam a ser definidas como um modelo de negócio que coloca à disposição de um utilizador veículos de passageiros, com ou sem motor, para utilização pública, durante períodos de curta duração, tipicamente integrados nas soluções de transporte urbano e de curta distância.

“Entendem-se por períodos de curta duração e de curta distância a utilização do veículo durante não mais do que 12 horas, até que o mesmo seja libertado para uso por outro cliente, período durante o qual o veículo não deve percorrer mais do que 100 km”, lê-se no diploma.

Os interessados na atividade de ‘sharing’ vão ter de preencher quatro requisitos: ter um sistema eletrónico de reserva, dispor de uma linha telefónica permanente de apoio ao cliente, indicar o tipo de plataforma eletrónica a disponibilizar e disponibilizar antecipadamente aos utilizadores, na plataforma eletrónica, as cláusulas contratuais gerais que pretendam celebrar.

O Governo, no diploma, defende que a regra fixada para o cálculo do valor a cobrar pelo locador nos casos de devolução do veículo com nível de combustível inferior não se encontrava “devidamente densificada”, ficando dependente da discricionariedade de cada operador, o que tornava o contrato de aluguer pouco transparente para o consumidor, que desconhece antecipadamente qual o valor total expectável do preço exato do serviço.

“Assim, e na ausência de valores legalmente fixados, definidos e harmonizados, passou a ser exigido que esse valor seja proporcional face aos custos incorridos para o abastecimento”, explica o executivo no diploma.

O novo regime, hoje publicado, vai ser avaliado dentro de dois anos pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes, em coordenação com a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes, com o objetivo de ponderar os seus impactos.

O novo regime é também uma medida Simplex+ que visa desmaterializar, desburocratizar e simplificar os contratos de aluguer de veículos de passageiros sem condutor, dando a possibilidade de desmaterialização do contrato, que passa a ser emitido em suporte eletrónico.

retirado de rtp

Toda a verdade sobre os Diesel

O futuro dos motores Diesel tem sido um dos tópicos mais quentes da indústria automóvel nos últimos anos, razão pela qual a Razão Automóvel tem dedicado inúmeras linhas ao assunto. É altura de fazer um ponto de situação.

O melhor é mesmo começar pelo início. Não se preocupem, não vamos recuar até 1893, ano em que Rudolf Diesel recebeu a patente para o seu motor de combustão por compressão — vulgarmente conhecido por motor Diesel.

Para perceber a ascensão e queda dos motores Diesel na indústria automóvel, temos de avançar um século, mais precisamente até 1997, altura em que é finalmente concluído o Tratado de Quioto. Tratado esse onde as nações industrializadas acordaram reduzir as suas emissões anuais de CO2.

Em média, as nações mais ricas deveriam reduzir as suas emissões de CO2 em 8% num período de 15 anos — usando como referência as emissões medidas em 1990.

Volkswagen 2.0 TDI

A ascensão…

Previsivelmente, os transportes no geral e os automóveis em particular, teriam de contribuir para essa redução. Mas se os construtores japoneses e americanos alocaram recursos ao desenvolvimento de automóveis híbridos e elétricos, na Europa, graças também ao lobby dos construtores alemães, apostou-se na tecnologia Diesel — era a forma mais rápida e com custos mais reduzidos para cumprir esses objetivos.

Era praticamente uma ordem para mudar para Diesel. A frota automóvel europeia foi transformada de ser praticamente a gasolina para ser predominantemente Diesel. O Reino Unido, juntamente com a Alemanha, França e Itália, ofereceram subsídios e “adoçantes” para persuadir os construtores automóveis e o público a comprar Diesel.

Simon Birkett, diretor do grupo Clean Air London

Para mais, o motor Diesel deu saltos tecnológicos importantes durante a década de 80 e 90, que mais ajudavam ao papel principal como ator para a redução das emissões de CO2 — a Fiat contribuiria de forma decisiva para colocar o Diesel como alternativa viável.

Fiat Croma
Fiat Croma. O primeiro Diesel de injeção direta.

Até meio da década de 90, as vendas de carros a gasóleo significavam pouco mais de 20% do total, mas após a mudança concertada de rumo — política e tecnológica —, a sua quota ascenderia a mais de metade do mercado — culminando nos 55,7% em 2011, na Europa Ocidental.O motor Diesel, devido à sua maior eficiência, produzia em média, menos 15% de CO2 que o motor Otto — o mais comum dos motores com combustão por ignição. Mas por outro lado, emitiam em maiores quantidades poluentes como dióxido de azoto (NO2) e partículas nocivas — quatro vezes e 22 vezes mais, respetivamente — que afetam seriamente a saúde humana, ao contrário do CO2. Um problema que não foi debatido do modo adequado na altura — só em 2012 é que a OMS (Organização Mundial de Saúde) declarou que as emissões dos motores Diesel eram cancerígenas para o ser humano.

… e a queda

Se podemos apontar o Dieselgate (2015) como o momento chave para o início do fim, o que é certo é que o destino dos Diesel já estava traçado, ainda que fosse expectável um declínio mais progressivo do que aquele que vemos agora.

Diesel vazio

Rinaldo Rinolfi, ex-vice-presidente executivo da Fiat Powertrain Research & Tecnhology — pai de tecnologias como o common-rail ou o multiair — afirmou que, com ou sem escândalo, o declínio do Diesel teria de acontecer devido aos custos crescentes destas motorizações para estarem em conformidade com as cada vez mais rigorosas normas de emissões.

Dado o custo cada vez mais elevado de estar em conformidade, previa que os motores Diesel se tornassem exclusivo dos segmentos superiores, capazes de absorver o custo extra das motorizações. Ainda não chegámos a esse ponto, mas temos assistido à venda cada vez maior de motores a gasolina em detrimento dos gasóleo.A sua previsão era de que a procura estagnasse após a introdução da Euro 6, em 2014, e até ao final da década a sua quota se reduzisse a 40% do total do mercado — em 2017 a quota caiu para 43,7%, e no primeiro quadrimestre de 2018 é de apenas 37,9%, já bem abaixo das previsões de Rinolfi, tendência acelerada definitivamente pelo Dieselgate.

O dieselgate

Em setembro de 2015 veio a público que o grupo Volkswagen usou um dispositivo manipulador no seu motor 2.0 TDI (EA189) nos EUA, capaz de detetar quando estava a ser alvo de um teste de emissões, mudando para outro mapa eletrónico da gestão do motor, cumprindo assim, os limites de emissões impostos. Mas quando novamente em estrada, retornava ao mapa eletrónico original — oferecendo melhores consumos e performances.O Dieselgate

Petróleo vale hoje menos 47% do que há dez anos, mas gasolina é mais cara. Porquê?

O petróleo caiu para quase metade do que custava no pico de 2008, mas a gasolina em Portugal está mais cara do que então, mesmo após a “invenção” dos combustíveis simples. Descodificador: estes combustíveis não são (nada) simples
COMO VARIARAM OS PREÇOS DOS COMBUSTÍVEIS NA ÚLTIMA DÉCADA?

Entre o máximo histórico de 147,5 dólares por barril registado a 3 de julho de 2008 e a semana passada, o brent (matéria-prima de referência para os mercados europeus) desvalorizou 47%, mas o preço de venda ao público da gasolina em Portugal subiu 5,7% e o do gasóleo baixou 1,9%. Considerando, no entanto, os preços de venda dos combustíveis simples (que entraram em vigor em 2015, com o objetivo de aliviar os preços pagos pelos consumidores), a gasolina encareceu 3% (passou de €1,525 por litro em julho de 2008 para €1,57 por litro agora) e o gasóleo ficou 5,3% mais barato (de €1,428 por litro em julho de 2008 para €1,353 atualmente).

O QUE EXPLICA EVOLUÇÕES DISTINTAS DO CRUDE E DO PRODUTO FINAL?

Há três fatores essenciais. A cotação da matéria-prima (que baixou na última década), o câmbio euro/dólar (que se tornou menos favorável para os mercados europeus) e a fiscalidade (que se agravou em Portugal). Olhemos para o gasóleo: a cotação internacional pelo índice Platts de Roterdão baixou 48,6% na última década, o equivalente a 34,2 cêntimos por litro, mas a desvalorização do euro face ao dólar em quase 25% “queimou” 11,8 cêntimos daquele ganho. A subida do imposto sobre produtos petrolíferos (ISP) e da contribuição rodoviária e a criação da taxa de carbono neste período de tempo custaram 10,7 cêntimos por litro e o aumento do IVA de 20% para 23% pôs mais 1,5 cêntimos por litro na conta do gasóleo. Na gasolina os efeitos foram semelhantes.

O QUE MUDOU NA FISCALIDADE?

Entre 2008 e 2018, o Imposto Sobre os Produtos Petrolíferos aumentou, quer na gasolina (mais 3,8 cêntimos por litro) quer no gasóleo (6,5 cêntimos por litro). A Contribuição do Serviço Rodoviário (CSR) também foi reforçada em ambos os combustíveis (2,3 cêntimos por litro na gasolina e 2,5 cêntimos no gasóleo). Por outro lado, sobre a gasolina e o gasóleo passou a incidir uma taxa de carbono de 1,6 e de 1,7 cêntimos por litro, respetivamente. E houve ainda uma subida do IVA, de 20% em julho de 2008, para os atuais 23%. Em 2016, o Governo aumentou o ISP para compensar a queda de receita fiscal com a descida do petróleo, mas prometeu que quando os produtos petrolíferos voltassem a encarecer haveria uma descida do ISP. A promessa ainda não foi cumprida.

O QUE TEM FEITO A AUTORIDADE DA CONCORRÊNCIA?

A Autoridade da Concorrência (AdC) acompanha os combustíveis desde 2004, tendo emitido recomendações em 2009 e 2012. Em janeiro de 2017, o secretário de Estado da Energia solicitou à AdC que analisasse as margens dos combustíveis rodoviários. “A AdC encontra-se atualmente a desenvolver uma avaliação sobre a implementação das recomendações dos pacotes de medidas de 2009 e 2012, bem como uma análise da evolução das margens no sector, tendo em consideração a evolução dos custos de armazenamento e dos preços a retalho, cujo resultado será publicado brevemente”, diz o supervisor ao Expresso.

Retirado de expresso

Quais as marcas de automóveis mais dependentes dos diesel?

Os constantes ataques aos Diesel já se reflete nos números de vendas, expondo os construtores a vários riscos. Mas quais os construtores que mais dependem dos Diesel no mercado europeu?

Já diversas cidades anunciaram as suas intenções de banir as motorizações Diesel das suas ruas. Banir parece ser mesmo a palavra de ordem sobre o futuro das motorizações Diesel. Naturalmente, o mercado reagiu.

Em 2017, apesar do mercado europeu ter crescido 3,1%, a venda de motorizações Diesel em automóveis ligeiros recuou 7,9%, relativamente a 2016, com a quota a ficar-se pelos 43,8%, o valor mais baixo desde 2003.

Os riscos para os construtores são vários. Estes pedem prudência nos alertas e declarações, mas é um pedido tardio — o fluxo de más notícias e ameaças de proibição no último ano simplesmente afugentaram os clientes.

Proibição diesel 2018

Todos querem mobilidade, mas o que eles (clientes) não sabem é, se eu comprar um carro (a gasóleo) agora, poderei conduzi-lo na cidade? Será que este carro manterá o seu valor residual?

Diesel-dependentes

A verdade é que muitos construtores dependem maioritariamente dos Diesel no mercado europeu. Com as ameaças pendentes, o mercado está a mudar demasiado rápido, pelo que as opções dos construtores parecem resumir-se a duas opções: ou abandonam definitivamente o Diesel ou terão de o defender.

Por detrás das declarações contraditórias de vários construtores — desde o anúncio do abandono total dos Diesel à sua acérrima defesa —, torna-se mais fácil de as compreender quando verificamos qual nível de dependência comercial que possuem deste tipo de motores. A tabela abaixo é esclarecedora. Os dados são da Jato Dynamics:

Marcas 2017 2016
1 Land Rover 94% 96%
2 Jeep 80% 81%
3 Volvo 78% 83%
4 Mercedes-Benz 67% 70%
5 BMW 67% 73%
6 Audi 59% 68%
7 Peugeot 49% 52%
8 Renault 49% 54%
9 Nissan 47% 50%
10 Volkswagen 46% 51%
11 Ford 44% 46%
12 Citroën 43% 50%
13 Skoda 41% 45%
14 KIA 40% 48%
15 Dacia 39% 45%
16 Fiat 36% 36%
17 Hyundai 32% 42%
18 SEAT 30% 36%
19 MINI 29% 37%
20 Opel / Vauxhall 28% 32%
21 Mazda 26% 33%
22 Honda 26% 38%
23 Mitsubishi 23% 30%
24 Suzuki 8% 14%
25 Toyota 7% 14%

Podemos logo constatar que em todos os construtores, excetuando a Fiat, viram a quota de motores Diesel baixar de 2016 para 2017, refletindo sobretudo o aumento nas vendas de motores a gasolina. Mas mesmo assim, os números para muitos construtores são claramente elevados.

A Land Rover é a marca mais dependente com uma quota de 94%. Mas não admira, já que a sua gama é constituída na totalidade por SUV, no geral de médias e grandes dimensões. E verdade seja dita, são o tipo de veículo onde os motores Diesel continuam a fazer muito sentido. História semelhante para a Jeep, com uma quota de 80%.

Range Rover Sport 2017
Diesel e grande SUV estão bem um para o outro, justificando a dependência da Land Rover neste tipo de motorizações

Também constata-se que as marcas premium alemãs são as mais dependentes, onde 2/3 (quase 60% no caso da Audi) das vendas são de motores a gasóleo, pelo que se justifica o seu discurso mais vocal na defesa deste tipo de motorização.

A qualidade do ar (nas cidades alemãs) está cada vez melhor, mas a discussão está cada vez pior.

 

No caso da Volvo, a terceira marca mais dependente (78%), também tem sido a mais ousada nas suas declarações. Não só prometeu eletrificar toda a sua gama, com híbridos e elétricos, já a partir de 2019, como anunciou que a atual família de motores de combustão — gasolina e gasóleo — será a última a ser desenvolvida. Após o fim de vida útil destas unidades, algures durante a próxima década, apostará “todas as fichas” nos elétricos.

As menos dependentes

As restantes marcas visadas já apresentam quotas inferiores a 50%, valor com tendência a diminuir, destacando-se a Toyota como a menos dependente, com os Diesel a representar apenas 7% das suas vendas.

Toyota RAV4
A Toyota é a marca na Europa com menos dependência dos motores Diesel

 

Tal deve-se à aposta contínua e crescente nos híbridos, pelo que o anúncio recente de que abandonaria este tipo de motorizações nos seus carros ligeiros até parece natural. No entanto Diesel continuará a marcar presença em alguns modelos como a pick-up Hilux e o Land Cruiser.

O ano de 2017 foi negro para os motores Diesel

No geral, as marcas japonesas são aquelas que apresentam valores mais baixos e, nalguns casos com quedas expressivas, que refletem as renovações das gamas, prescindindo dos Diesel nas novas gerações de modelos. Como exemplo, o novo Suzuki Swift e os recém-apresentados Honda CR-V e Toyota Auris abdicaram deste tipo de motor, substituindo-o por opções semi-híbridas e híbridas, respetivamente.

Riscos acrescidos

Não é apenas o lado comercial que está em risco para muitos dos construtores. As vantagens que os Diesel acarretam em matéria de emissões CO2 relativamente aos motores a gasolina, é o meio pelo qual os construtores esperam atingir o patamar de emissões CO2 exigidos pela UE em 2020-2021.

Meta: 95 g/km CO2 para 2021
Apesar do valor de emissões médias estipulado ser de 95 g/km, cada grupo/construtor tem patamares distintos para cumprir. Tem tudo a ver como o cálculo das emissões é efetuado. Este depende da massa do veículo, pelo que veículos mais pesados têm limites de emissões superiores aos de veículos mais leves. Como apenas a média da frota é regulada, um fabricante pode produzir veículos com emissões acima do valor limite estipulado, já que serão nivelados por outros que estão abaixo desse limite. Como exemplo, a Jaguar Land Rover, com os seus inúmeros SUV, tem de atingir uma média de 132 g/km, enquanto a FCA, com os seus veículos mais pequenos terá de atingir as 91,1 g/km.

Se a entrada no próximo mês de setembro do WLTP e RDE significava já dificuldades acrescidas de atingir esse objetivo, a quebra de vendas acentuada dos Diesel, torna-o quase impossível. E caso não consigam atingir as metas estipuladas, existem onerosas penalizações.

De acordo com as estimativas da PA Consulting Group, apenas quatro grupos automóveis serão capazes de cumprir as metas propostas de emissões de CO2 em 2020-2021: Toyota, Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, Jaguar Land Rover e Volvo.

As restantes, caso estas previsões estejam corretas, por cada grama acima do valor estipulado, irão pagar uma penalização por cada carro vendido. Se esse valor for de 4 g ou mais acima do estipulado, a penalização é de 95 euros por grama por carro (!).

Resultado: as estimativas apontam para multas que vão dos 200 milhões de euros na Daimler (Mercedes-Benz e Smart), aos 1200 milhões de euros do Grupo Volkswagen, culminando nos 1300 milhões de euros da FCA (Fiat, Alfa Romeo, Jeep, Lancia). Apesar do cenário desenhado, todos eles estão confiantes de que conseguirão cumprir os patamares propostos.

A verdade é que, pelo menos até 2021, as motorizações Diesel serão cruciais para o cumprimento destas metas. Mas a fuga a que se assiste atualmente no mercado dos Diesel já demonstra os seus efeitos.

Em 2017 verificou-se, pela primeira vez numa década na Europa, um aumento na média de CO2 nos automóveis novos vendidos de 117,8 g/km (2016) para 118,1 g/km. Tendência que é para continuar, seja pelo maior número de motores a gasolina vendidos, seja pela procura crescente de SUV.

Retirado de razaoautomovel