Tudo o que precisas de saber sobre a embraiagem

Carros com caixa manual obrigam a que sejamos nós a operar a embraiagem. Mas o que é a embraiagem e qual é a forma mais correta de a usar?

 

As caixas automáticas — conversor de binário, dupla embraiagem ou CVT —, são cada vez mais comuns, havendo modelos que já nem oferecem caixa manual. Mas apesar do ataque às caixas manuais nos segmentos mais altos, estas ainda continuam a ser a espécie mais comum no mercado.

O uso da caixa manual obriga, na generalidade, a que controlemos também a ação da embraiagem. É para isso que existe o terceiro pedal, posicionado à esquerda, que nos permite engrenar a relação certa na altura certa.

Tal como qualquer outro componente do automóvel, a embraiagem também tem um modo correto de ser usada, contribuindo para a sua longevidade e menores custos de utilização.

Pedais — embraiagem, travão, acelerador
Da esquerda para a direita: embraiagem, travão e acelerador. Mas todos sabemos isso, certo?

Mas o que é a embraiagem?

 Basicamente é o mecanismo de ligação entre o motor e a caixa de velocidades, cuja única função é o de permitir transmitir a rotação do volante do motor às engrenagens da caixa de velocidades, e que por sua vez transfere essa rotação para o diferencial através do eixo.

É constituída, essencialmente, por um disco (de embraiagem), um prato de pressão e o rolamento de encosto. O disco de embraiagem costuma ser em aço, cuja superfície está revestida com um material que gera atrito, o qual é pressionado contra o volante do motor.

A pressão contra o volante motor é garantida pelo prato de pressão e, tal como o nome indica, pressiona com força suficiente o disco contra o volante do motor, para evitar o deslizar, ou patinar, entre as duas superfícies.

O rolamento de encosto é o que transforma a nossa força sobre o pedal da esquerda, ou seja, o da embraiagem, em pressão necessária para embraiar ou desembraiar.

A embraiagem foi concebida para “sofrer” por nós — é por ela que passam as forças de atrito, vibrações e temperatura (calor), que permitem igualar as rotações entre o volante do motor (ligado à cambota) e ao eixo primário da caixa de velocidades. É ela que garante uma operação mais fácil e confortável, de importância vital, pelo que não aprecia nada os nossos maus hábitos de uso — apesar de robusta, continua a ser um componente sensível.

Kit de embraiagem
Kit de embraiagem. Na sua essência o kit é composto por: prato de pressão (à esquerda), disco de embraiagem (direita) e rolamento de encosto (entre os dois). No topo vemos o volante do motor, que não costuma fazer parte do kit, mas convém substituir juntamente com a embraiagem.

O que pode correr mal

Os principais problemas relacionados ou têm a ver com o disco de embraiagem ou com a deterioração, ou ruptura, dos elementos que o comandam, como o prato de pressão ou o rolamento de encosto.

No disco de embraiagem os problemas decorrem de um desgaste excessivo ou irregular na sua superfície de contacto, devido ao deslizar ou patinar excessivo entre este e o volante do motor. As causas devem-se ao uso indevido da embraiagem, ou seja, a embraiagem é obrigada a suportar esforços para o qual não foi concebida, o que implica níveis bem superiores de atrito e calor, acelerando a degradação do disco, e em casos mais extremos pode levar até que este perca material.

Os sintomas de desgaste do disco são facilmente verificáveis:
  • Acelerarmos e não se verificar avanço por parte do carro, apesar da subida de rotações do motor
  • Vibrações no momento em que desembraiamos
  • Dificuldade em engrenar uma velocidade
  • Ruídos ao embraiar ou desembraiar

Estes sintomas revelam ou uma superfície irregular do disco, ou então, um nível de deterioração tão elevado, que este não é capaz de igualar as rotações do volante do motor e da caixa de velocidades, por estar a patinar.

Nos casos do prato de pressão e rolamento do encosto, os problemas advém de uma conduta mais agressiva ao volante ou simplesmente descuidada. Tal como acontece com o disco de embraiagem, estes componentes estão sujeitos ao calor, vibrações e atrito. As causas para os seus problemas advém de “descansar” o pé esquerdo em cima do pedal da embraiagem, ou manter o automóvel parado em subidas apenas com recurso à embraiagem (ponto de embraiagem).

Embraiagem e caixa de velocidades

Recomendações de uso

Como referimos, a embraiagem foi feita para sofrer, mas esse “sofrimento” ou desgaste também tem uma forma correta de acontecer. Devemos olhar para ela como um interruptor on/off, mas que precisa de cuidados na operação.

Sigam estas recomendações para garantir uma longevidade superior na embraiagem do vosso carro:

  • O ato de carregar e soltar o pedal de embraiagem deve ser feito com suavidade
  • Mudanças de relações nunca devem implicar acelerar o motor durante o processo
  • Evitar reter o automóvel com a embraiagem (ponto de embraiagem) em subidas — esse é o papel dos travões
  • Pisar o pedal da embraiagem sempre até ao fundo
  • Não usar o pedal de embraiagem como descanso do pé esquerdo
  • Não arrancar em segunda
  • Respeitar os limites de carga do veículo
Mudar a embraiagem

A reparação de uma embraiagem não é barata, ascendendo a várias centenas de euros na generalidade dos casos, variando de modelo para modelo. Isto sem contar com a mão de obra, já que, ao estar colocada entre o motor e transmissão, obriga a desmontar esta última para lhe conseguirmos aceder.

Retirado de razaoautomovel

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Arrancar com a embraiagem pressionada, sim ou não?

embraiagem

Há algum tempo atrás, um leitor de Circula Seguro Espanha, mais precisamente o Alberto, entrou em contacto connosco para nos colocar uma eterna dúvida que é como a moda, retorna sempre. A questão é simples: arrancar com a embraiagem pressionada, sim ou não?

A resposta também é óbvia: Sim, se tivermos deixado uma mudança posta. Uma resposta um pouco mais elaborada: Sim, de modo a que se consiga evitar danos no motor de arranque e bateria.

Talvez a primeira coisa seja definir quais são os elementos que entram em jogo quando se inicia o motor de um carro, e a segunda é definir como é que a embraiagem atua no processo. Desta forma, tudo irá ficar suficientemente claro.

O que é uma embraiagem?

transmissao

Normalmente num carro encontramos um motor, que é uma engenhoca que converte o combustível em movimento circular. Este movimento é transmitido para as rodas que, em contacto com o asfalto se transformam em movimento circular na deslocação do veículo. Para se conseguir a potência necessária para movimentar o veículo, à saída do motor encontramos um jogo de engrenagens, às quais chamamos de caixa de velocidades, entre relações de velocidade, as vulgares “mudanças”.

Para não danificar as engrenagens da caixa de velocidades, cada vez que passarmos de uma mudança para outra devemos utilizar a embraiagem, que é basicamente um conjunto formado por duas placas ou pratos queinterrompe ou transmite o movimento do motor para a caixa de velocidades e, a partir desta, para as rodas.

Antes de nos concentrarmos sobre o papel da embraiagem ao ligar o motor, devemos rever toda a situação entre aembraiagem e o motor. O que faz transformar o motor térmico (ou seja, o motor do carro) é um motor elétrico que é ligado quando ativamos a chave ou o botão de arranque do veículo ao qual curiosamente chamamos de motor de arranque.

Volante de inerciaEsse pequeno motor envolve momentaneamente o volante, que é o prato que está sempre conectado ao motor térmico do carro e agindo contra a embraiagem. De que forma se engata o motor de arranque ao volante? Engrenando-se na coroa do volante, que é serrilhada. Ao rolar o motor de arranque, o seu movimento começa a girar o volante, iniciando-se o ciclo do motor térmico, onde o ar e o combustível entram nos cilindros e começa o festival de combustão ou explosão, dependendo se usamos diesel ou gasolina. Só nesse momento é que soltamos a chave (ou no caso do botão de energia, é interrompida a alimentação do circuito térmico) e o motor de arranque é desengatado da coroa do volante.

Como é óbvio, o motor de arranque tem a capacidade suficiente para pôr em movimento o motor térmico, mas submete-lo a um esforço maior do que o necessário pode gerar não só a fadiga do motor, como também um consumo desnecessário da energia elétrica que sai da bateria. Um exemplo de consumo desnecessário é quando o motor térmico não arranca à primeira. Neste caso, nunca devemos manter o motor de arranque por mais de 4 segundos. Se passado esse tempo não conseguirmos com que o motor se coloque em movimento, esperamos 15 a 20 segundos até tentar novamente. Desta forma, daremos tempo para que a bateria se recupere um pouco antes da nova tentativa.

Então, que diferença faz o uso da embraiagem quando o motor está em funcionamento? Único. Se não ativarmos o pedal da embraiagem, submetemos o motor de arranque a um esforço desnecessário. Qual? O arraste a caixa de velocidades do eixo de entrada da engrenagem. E isso ocorre pois, embora não tenhamos nenhuma embraiagem, temos a alavanca das velocidades em ponto morto, com a embraiagem engatada o movimento do motor atinge o eixo de entrada da caixa de velocidades.

Isso, com o motor frio, é um problema uma vez que o óleo que banha as engrenagens da caixa de velocidades é extremamente denso, pelo que arrancar com o motor tão frio é um esforço considerável para o mesmo e que se pode perfeitamente prescindir sem qualquer dificuldade. Basta pisar a embraiagem até que o motor se ponha em marcha, depois basta soltar a embraiagem e seguir caminho.

Retirado de Circulaseguro