Governo limita `carsharing` e `bikesharing` a 12 horas e 100 Km

Governo limita `carsharing` e `bikesharing` a 12 horas e 100 Km

O Governo limitou a 12 horas e a 100 quilómetros (Km) a atividade de partilha de automóvel (‘carsharing’) e bicicleta (‘bikesharing’), segundo o novo enquadramento legal hoje publicado e que entra em vigor em Dezembro deste ano.

O novo diploma, que entra em vigor daqui a 180 dias, altera a legislação de 2012 que regula as condições de acesso e de exercício da atividade de aluguer de veículos de passageiros sem condutor, conhecida por rent-a-car, passando a incluir outro tipo de contrato de locação de veículos: o regime de partilha de veículos, conhecido por ‘sharing’.

As atividades de ‘sharing’, passam a ser definidas como um modelo de negócio que coloca à disposição de um utilizador veículos de passageiros, com ou sem motor, para utilização pública, durante períodos de curta duração, tipicamente integrados nas soluções de transporte urbano e de curta distância.

“Entendem-se por períodos de curta duração e de curta distância a utilização do veículo durante não mais do que 12 horas, até que o mesmo seja libertado para uso por outro cliente, período durante o qual o veículo não deve percorrer mais do que 100 km”, lê-se no diploma.

Os interessados na atividade de ‘sharing’ vão ter de preencher quatro requisitos: ter um sistema eletrónico de reserva, dispor de uma linha telefónica permanente de apoio ao cliente, indicar o tipo de plataforma eletrónica a disponibilizar e disponibilizar antecipadamente aos utilizadores, na plataforma eletrónica, as cláusulas contratuais gerais que pretendam celebrar.

O Governo, no diploma, defende que a regra fixada para o cálculo do valor a cobrar pelo locador nos casos de devolução do veículo com nível de combustível inferior não se encontrava “devidamente densificada”, ficando dependente da discricionariedade de cada operador, o que tornava o contrato de aluguer pouco transparente para o consumidor, que desconhece antecipadamente qual o valor total expectável do preço exato do serviço.

“Assim, e na ausência de valores legalmente fixados, definidos e harmonizados, passou a ser exigido que esse valor seja proporcional face aos custos incorridos para o abastecimento”, explica o executivo no diploma.

O novo regime, hoje publicado, vai ser avaliado dentro de dois anos pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes, em coordenação com a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes, com o objetivo de ponderar os seus impactos.

O novo regime é também uma medida Simplex+ que visa desmaterializar, desburocratizar e simplificar os contratos de aluguer de veículos de passageiros sem condutor, dando a possibilidade de desmaterialização do contrato, que passa a ser emitido em suporte eletrónico.

retirado de rtp

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Carsharing: desafios e oportunidades

carsharing belém_fleetmagazine_ptUm relatório publicado pela Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA) aborda as tendências, oportunidades e desafios enfrentados pela indústria de carsharing na Europa e no mundo.

O mercado mundial de carsharing engloba atualmente vários milhões de clientes e possui uma frota constituída por algumas dezenas de milhares de veículos. Apesar de fortemente concentrada em países industrializados, há um número crescente de empresas a operarem também em economias em desenvolvimento.

O relatório demonstra que não existe um modelo único de negócios/serviços nesta atividade e que estes variam em função das necessidades e disposição territorial e técnica da região em que a empresa opera. Segundo o documento, os clientes típicos tendem a ser jovens urbanos para os quais uma mobilidade flexível é bastante importante. Demonstra, ainda, que os diferentes players atuam de forma diversas, variando na forma de atuação, criando versões especializadas dos seus próprios carros e produzindo serviços específicos em função da frota.

Há, no entanto, desafios claramente identificados que a indústria de carsharing enfrenta. Estes variam entre os limites dos serviços que podem oferecer e que nem sempre conseguem satisfazer as necessidades dos utilizadores, os problemas causados por uma legislação que varia de região para região e ainda com o facto de algumas empresas de carsharing estarem a sentir dificuldade em lidar com as garantias dos veículos e com os respetivos seguros, uma vez que a utilização do serviço é muito variável em função do tipo de cliente.

Erik Jonnaert, secretário-geral da ACEA, escreve no relatório que o “carsharing revela potencial para se tornar parte integrante de uma solução de mobilidade urbana e pode ser opção para cidadãos que ainda não têm um carro e que vivem nas cidades”. No entanto, frisa este responsável “há uma série de problemas práticos, comerciais e regulamentares que ainda precisam de ser superados”.

Na edição de Setembro da FLEET MAGAZINE é igualmente indicada uma outra vantagem do carsharing para o setor empresarial, o facto de este serviço poder ajudar uma empresa a ter maior controlo sobre as emissões.

Nessa reportagem, Luís Rosendo, da CityDrive, evidencia o facto nos vários clientes empresariais que já utilizam os serviços desta empresa de carsharing, a mais recente a operar na região de Lisboa: “ao aderir a uma mobilidade amiga do ambiente, a empresa aumenta as suas credenciais em termos de responsabilidade social”.

É que, não sendo da responsabilidade do utilizador o automóvel, o valor das emissões é contabilizado nas contas de quem presta o serviço. Além, obviamente, da vantagem económica que representa um aluguer curto no tempo ou na distância, com estacionamento incluído, sem qualquer outro custo ou obrigação

Retirado de fleetmagazine

Um carro à distância de uma aplicação

858290A partir de agora, os lisboetas têm mais uma alternativa de mobilidade urbana. A empresa Mobiag criou um sistema de carsharing em rede através do qual é possível consultar os carros disponíveis na área, reservar no imediato e abrir as portas do veículo pretendido a partir do seu smartphone.

De acordo com João Félix, CEO da start-up Mobiag, a ideia de criar um sistema de carsharing surgiu em 2009 quando chegaram à conclusão que os sistemas de aluguer de carros existentes “não correspondiam à necessidade das pessoas”, uma vez que os utilizadores tinham de deslocar-se a um determinado ponto, proceder a requisição do carro e devolvê-lo no mesmo local. Por isso, decidiram desenvolver “um sistema mais funcional” e “mais próximo do carro próprio”, através do qual a viagem terminasse quando o utilizador chegasse ao seu destino.

Todavia, para concretizarem este sistema necessitavam, de acordo com o CEO da Mobiag, de um “grande número de carros” e consequentemente de “muitos fundos” através dos quais pudessem suportar as operações até o projecto ter rentabilidade financeira. Para ultrapassarem esta barreira, decidiram “alancar tecnologia” e aplicar o modelo de roaming ao carsharing, associando gestores de clientes e gestores de frotas de veículos ao sistema, que “competem ao nível dos clientes, mas que colaboram ao nível da infra-estrutura”.

“O sistema de carsharing em rede funciona como um multibanco, nós podemos levantar dinheiro em qualquer caixa ATM, independentemente do banco a que pertencemos e, neste caso, o utilizador poderá ter acesso a qualquer veículo do sistema independentemente da empresa de gestão de clientes a que se associou”, explicou João Félix.

O sistema, que conta com 40 veículos disponíveis, encontra-se ainda numa versão piloto até Setembro, mês em que existirá um alargamento do sistema. O CEO da Mobiag prevê que até ao final do ano, o projecto tenha associado “cerca de 100 carros e 5000 clientes”.

Para quem pretenda experimentar o serviço, o procedimento é simples: basta registar-se, gratuitamente durante a fase-piloto, na plataforma do projecto e depois realizar todo o processo a partir do smartphone. Quem não tem smartphone poderá reservar o carro através do computador e, antecipadamente, solicitar na plataforma o envio de um cartão magnético para abrir as portas do carro, dentro do qual estarão as chaves.

Durante a fase piloto, apesar de o utilizador poder utilizar o carro fora de Lisboa, tem sempre de iniciar e terminar a viagem na capital, preferencialmente numa área pré-definida entre o Chiado e o Campo Grande, de forma a evitar o pagamento de custos adicionais. A necessidade de marcação desta zona, durante a primeira fase do projecto, surgiu, segundo João Félix, devido ao número reduzido de veículos disponíveis, sendo esta uma forma da Mobiag conseguir “garantir que dentro desta área existirão sempre veículos disponíveis”, mas também porque esta é uma zona com uma “grande densidade de empresas”, um target considerado “fundamental” para o sucesso do projecto.

A utilização deste serviço tem um custo de utilização de 29 cêntimos por minuto; 9,90€ por hora, com a possibilidade percorrer 20 quilómetros; 29€90 por cada quatro horas, numa distância de 100 quilómetros e 69,90€ por um dia inteiro, no qual estão contemplados 200 quilómetros. A partir das referidas distâncias acresce um custo extra por quilómetro.

Apesar de o serviço permitir o aluguer de veículos por várias horas, João Félix sublinhou que a empresa pretende “sobretudo apostar em viagens mais curtas, dentro da cidade, com muita rotação entre clientes”. “Só temos 40 veículos, se a maioria dos nossos clientes utilizasse o serviço para viagens de um dia inteiro, a qualidade do serviço decrescia significativamente”, explicou o CEO da Mobiag.

De acordo com o responsável da start-up nacional, “os transportes públicos não são um competidor do projecto”, uma vez que o carsharing só funciona bem “numa cidade onde exista uma boa rede de transportes”, a qual pode servir de “complemento”.

“Os nossos clientes alvo são, sobretudo, as pessoas que vêm de transportes públicos para Lisboa, mas que na cidade necessitam de um carro e que neste momento não têm nenhuma alternativa a não ser trazer o seu próprio veículo, bem como as pessoas que já perceberam que não lhes compensa ter carro próprio e que, no entanto, necessitam pontualmente de um veículo”, adiantou João Félix

Retirado de publico