E se produzisse a sua energia para alimentar a casa e o carro?

A Associação do Comércio Automóvel de Portugal (ACAP) decidiu dar o exemplo e passou das palavras à acção. Na sua sede do Restelo, em Lisboa, instalou um sistema de micro-geração de energia, juntamente com uma solução para armazenamento e carregadores para veículos eléctricos. O sistema, montado por uma empresa nacional, parece simples e eficaz. Mas será que pode ser aplicado à generalidade das residências dos consumidores e automobilistas portugueses? Se sim, com que custos e rentabilidade?

A solução integrada escolhida pela ACAP pode não ser muito habitual no nosso país, mas é-o por exemplo nos EUA e em todos os mercados em que a Tesla já opera com soluções de energia. Trata-se de reduzir a factura mensal de electricidade, que tanto pode apelar a quem possua veículos a bateria, como a quem apenas tenha de lidar com a energia consumida pela família e os electrodomésticos da casa.

A estratégia passa por, em vez de continuar eternamente a consumir electricidade fornecida pela rede, converter cada casa numa entidade produtora de energia, através de painéis fotovoltaicos, armazenando a energia em baterias de veículos eléctricos usadas – denominadas muitas vezes Second Life –, para assim cobrir as necessidades energéticas residenciais e, se possuir um ou mais veículos eléctricos, alimentar os carros com a electricidade gerada durante o dia. O investimento promete compensar passados uns anos.

Qual a solução da ACAP?

Para ultrapassar as suas necessidades eléctricas, a ACAP – e a Valorcar, empresa que gere veículos em fim de vida e que é controlada pela ACAP (95%) – solicitou à Zeev a instalação de 62 painéis fotovoltaicos, com a capacidade de produzir anualmente 32 MWh de energia, o que segundo a associação corresponde ao consumo de 19 habitações familiares médias, evitando assim a emissão de 32 toneladas de CO2.

Para aproveitar toda a energia gerada, necessariamente durante o período diurno, foram instaladas duas baterias de iões de lítio, que já serviram em veículos e que agora desempenham funções de acumuladores estacionários. A primeira (e única, para já, em funcionamento) foi herdada de um Mitsubishi i-MiEV, com 7,2 kWh, enquanto a segunda é proveniente de um BMW i3 e vai ser ligada em breve, incrementando a capacidade em mais 33 kWh.

Recorrendo apenas aos painéis fotovoltaicos, a ACAP (porque está ocupada sobretudo durante as horas de expediente) consegue assegurar 60% das suas necessidades eléctricas, valor que se elevou para 65% com introdução da primeira bateria de 7,2 kWh. Com a entrada em funcionamento da segunda bateria, de 33 kWh, serão finalmente cobertas 81% das necessidades, já incluindo os veículos eléctricos, recarregáveis através de um carregador duplo agora a funcionar a 11 kW, podendo aumentar para 22 kW caso exista potência disponível. De acordo com a associação, o investimento (que não foi especificado) deverá ter rondado os 42 mil euros, uma vez que os responsáveis afirmam que “permitirá poupar 5.200€ por ano e permitir o retorno ao investimento em cerca de 8 anos”.

É solução para a maioria dos portugueses?

Digamos que é solução para muitos portugueses. É mais fácil para quem vive em moradias, mas esta alternativa continua a estar acessível para quem habita em prédios, desde que exista um telhado ou uma empena livre, com condições apropriadas, para instalar os necessários painéis solares, cuja energia é depois acumulada e distribuída por todos os condóminos, consoante a permilagem.

Pedimos à ZEEV, o fornecedor escolhido pela ACAP, para nos apresentar uma proposta visando uma família média, que habite numa moradia, podendo ou não ter piscina, o mesmo acontecendo com veículo eléctrico. Carlos Jesus, administrador da ZEEV, começou por explicar que, “face à legislação em vigor, a solução mais simples – mas não necessariamente a mais interessante em termos de eficiência – é adquirir o pack convencional de 1.500 W (1,5 kW por hora durante o período diurno), o que corresponde a seis painéis fotovoltaicos, com uma área total de 9 m2”.
Na ausência de baterias para acumular a electricidade excedentária, a solução disponível para quem adquire apenas os painéis para 1.500 W (potência que carece de autorização especial) passa por injectar a energia de que não precisa na rede, “o que não é um negócio muito interessante do ponto de vista financeiro, pois recebe apenas 4,5 cêntimos por kW (acrescido de IVA), contra os 19 cêntimos durante o dia que é necessário pagar”, explica Carlos Jesus. De acordo com a ZEEV, um kit com seis painéis fotovoltaicos tem capacidade de gerar 7,5 kW em média por dia, ao longo de todo o ano, necessariamente mais de Maio a Outubro e menos no resto do ano.

Compensa ter armazenamento de energia?

Se a solução mais simples e mais acessível, com um custo próximo dos 2.000€, passa por instalar exclusivamente 1,5 kW de painéis fotovoltaicos, ela não é contudo a que permite alcançar uma maior economia. Para tal é fundamental adquirir baterias estacionárias, tradicionalmente ex-baterias de iões de lítio que já estiveram montadas em automóveis eléctricos e que depois de chegarem ao fim do seu tempo de vida útil – ou quando perdem mais de 25% a 30% da sua capacidade inicial – evoluem para baterias residenciais, onde podem ter pela frente pelo menos 30 anos, de acordo com a ZEEV.

Para Carlos Jesus, o consumo médio de uma moradia que tenha ainda de alimentar um veículo eléctrico, deverá adoptar um conjunto de 18 painéis fotovoltaicos capazes de gerar 4 kW por hora. De apoio aos painéis está uma bateria com 20 kWh de capacidade, que servirá para recarregar o veículo, bem com para resolver os picos de necessidade de energia, evitando que os proprietários tenham de contratar potências mais elevadas e necessariamente mais dispendiosas.

O preço de um kit com estas características, já incluindo o inversor de corrente, o contador inteligente, o carregador e a instalação, tem um preço de 16.000€. As estimativas da ZEEV apontam para uma recuperação do investimento inicial ao fim de oito a nove anos, para um equipamento que tem uma vida útil de 30 anos. Pode representar um esforço em demasia para muitos, mas é decididamente o tipo de investimento que vai ser alvo, mais cedo ou mais tarde, de um sistema de juros zero ou bonificados, que o tornará bem mais interessante.

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Aposta tímida nos motociclos com mais de 50cc

De acordo com os números da ACAP, Setembro permitiu mais vendas nos motociclos
acima dos 50cc e a quebra nos quadriciclos

O mercado de veículos de duas rodas e de quadriciclos novos apresentou, em Setembro de 2012, um resultado sensivelmente igual ao ano anterior, de menos 0,7 por cento. Todavia, verificou-se uma enorme dualidade em termos do comportamento das vendas dos vários tipos de veículos que compõem este mercado.

Assim, se por um lado as vendas de motociclos com mais de 50 cm3 registaram um comportamento bastante positivo, já as vendas de quadriciclos caíram mais de 50 por cento, agravando a queda acumulada. Os ciclomotores e os motociclos até 50cc também registaram uma variação fortemente negativa, agravando igualmente a queda acumulada.

Nos primeiros nove meses de 2012 foram vendidos 18.513 veículos de duas rodas e de quadriciclos novos, tendo-se verificado uma diminuição das vendas em todos os tipos de veículos. A variação homóloga global acumulada situou-se em menos 11,6 por cento no referido período.Por tipos de veículos, e dentro do período referido, foi possível verificar para os motociclos e ciclomotores, em Setembro de 2012, um total de 2.041 unidades comercializadas, o que representou um decréscimo de 3,9 por cento, face a igual mês de 2011. Em termos acumulados, nos primeiros nove meses de 2012, as vendas diminuíram 7,5 por cento face ao período homólogo do ano anterior, tendo sido vendidas 17.441 unidades. Já em relação aos motociclos de cilindrada superior a 50cc, estes registaram em Setembro de 2012, um total de 1.781 unidades vendidas em Portugal, o que representou um crescimento de 11,7 por cento face ao mês homólogo de 2011.

Quanto às vendas acumuladas, nos primeiros nove meses de 2012, estas situaram-se nas 14.767 unidades, o que representou um decréscimo de 6,3 por cento. Os ciclomotores e motociclos de cilindrada igual ou inferior a 50cc registaram, no mês de Setembro de 2012, um total de 260 unidades comercializadas, o que representou uma queda de 29,7 por cento face ao mês homólogo de 2011. Em termos acumulados, nos primeiros nove meses de 2012, as vendas destes veículos atingiram 2.674 unidades, o que se traduziu numa diminuição de 13,6 por cento em relação ao período homólogo de 2011.

Por fim, e relativamente aos quadriciclos, o mercado permitiu um total de 81 unidades vendidas em Setembro de 2012, o que representou uma fortíssima queda de 52,9 por cento face a igual mês de 2011. Em termos acumulados, nos primeiros nove meses de 2012 a comercialização de quadriciclos registou uma evolução bastante negativa de 48,7 por cento em relação ao período homólogo de 2011, tendo sido vendidos apenas 1.072 quadriciclos.

Fonte: Lusomotores

Carros. Só três marcas não viram vendas a cair em agosto

O mercado automóvel nacional bate no fundo com os números de agosto. Apenas 5443 unidades vendidas, o valor mensal mais baixo do ano e correspondente a uma quebra homóloga que vai diminuindo por estarem a ser atingidos mínimos históricos. A Renault continua a liderar e apenas três marcas tiveram resultados positivos: Audi, Land Rover e Porsche.

De facto a variação homóloga em causa é inferior à variação homóloga acumulada (-40,4%), o que poderia indiciar uma evolução menos desfavorável no mês de agosto.

Contudo, segundo a Associação Automóvel de Portugal (ACAP), “o facto de o mercado ter apresentado uma evolução fortemente negativa desde junho de 2011, tem conduzido a quedas homólogas mensais menos acentuadas no segundo semestre de 2012”.

Em termos acumulados, de janeiro a agosto de 2012, as vendas de automóveis ligeiros de passageiros situaram-se nas 68.103 unidades, o que corresponde a uma queda de 40,4% relativamente ao período homólogo de 2011.A ACAP salienta a queda de 45,1% de receita do ISV, até julho, “o que é resultado da desastrosa política fiscal sobre o automóvel que foi introduzida com o Orçamento do Estado para 2012”.

Esta situação, segundo a associação, “coloca em sérias dificuldades as empresas do setor e traduz-se numa significativa perda de receitas para o Estado”.

Quanto à vendas de veículos comerciais ligeiros, verificou-se em Agosto uma queda muito acentuada de 58,2%, o que corresponde a apenas 785 unidades comercializadas. Nos primeiros oito meses do ano de 2012, o mercado situou-se nas 9704 unidades, tendo registado uma forte contração de 55,2% face ao período homólogo do ano anterior. Recorde-se que este tipo de veículos foi o mais penalizado no cálculo de ISV incluído no OE de 2012.

No que diz respeito ao mercado de veículos pesados de passageiros e de mercadorias, verificou-se em Agosto de 2012 uma queda de 34,1%, tendo sido vendidos apenas 122 veículos. Já no período acumulado de janeiro a agosto de 2012 as vendas não ultrapassaram as 1302 unidades, tendo-se verificado uma queda do mercado de 42,9% relativamente ao período homólogo do ano anterior.

Por marcas, a Renault continua a liderar, mas o destaque vai para a Audi, que conseguiu crescer 1,7% e vender 360 carros. A construtora premium alemã, aliás, foi uma das três únicas a não ter resultado negativo. A outra foi a Land Rover, que embora vendendo muito menos volume (apenas 33 unidades) consegue um crescimento de 1550%.

Desde o início do ano, período que quase coincide com a chegada ao mercado o Evoque, o modelo de grande sucesso da marca, conseguiu vender 256 carros, contra 31 no mesmo período do ano passado (+260%).

Embora em queda desde o início do ano (-7,5%) a Porsche conseguiu também um resultado positivo em agosto, com 18 unidades vendidas, contra 13 no ano passado.

Fonte: dinheirovivo