Viver com um carro elétrico. O stress da bateria deu lugar à caça ao posto livre (e a funcionar)

O ECO decidiu “viver”, por uns dias, com um carro elétrico. É o ideal para a cidade, com a autonomia a responder às necessidades do dia-a-dia. Postos para carregar é que são quase uma miragem.

Quando surgiram causavam espanto. As pessoas viam os carros, mas não os ouviam. Era estranho. Mas com o passar do tempo, a estranheza desapareceu. E os elétricos começaram a entranhar-se no dia a dia dos portugueses. São cada vez mais os que se passeiam nas estradas portuguesas, fazendo pouco ou nenhum barulho. E, à medida que aumenta a adesão, vai ficando mais difícil ter um automóvel destes. A oferta está a crescer, os preços até estão mais baixos, o problema é mesmo “atestá-los”. É o cabo… dos trabalhos.

Se na primeira década do milénio foram vendidos apenas 29 veículos totalmente elétricos, desde então o número tem vindo a crescer. Salvo raras exceções, as vendas foram duplicando, ou mesmo triplicando, de ano para ano. Isto até se chegar a um total este ano que supera todas vendas dos últimos sete. E a todos estes é preciso juntar mais uns quantos milhares de veículos híbridos, muitos deles de ligar à corrente.

São números que mostram bem como os portugueses estão a aderir a esta nova forma de mobilidade. São já muitas famílias que ignoram os tradicionais postos de abastecimento de combustível, seja a gasóleo ou a gasolina, mas que não podem passar sem os outros, os de carregamento. Uma realidade que o ECO decidiu “viver” em primeira mão, munindo-se para isso de um i3, da BMW, modelo que já rola nas estradas nacionais há alguns anos.

Um passeio simpático de semáforo em semáforo

Com a bateria carregada ao máximo, arrancamos para uma semana de trabalho. 8h30 da manhã, tempo frio, apesar de o inverno ainda estar para chegar, e lá vamos nós para um pequeno percurso até à redação. Se há alguns anos sentíamos os olhos de todos aqueles por quem passávamos a espreitar, agora não é bem assim. Há vários elétricos na estrada. E cruzamo-nos com uns quantos especialmente nestes circuitos citadinos.

Poupam-se muitas moedas, tal como se poupa no IUC, que fica isento. São vantagens atrás de vantagens, mas nem tudo são rosas. A autonomia dos elétricos tem vindo a aumentar exponencialmente, mas não o suficiente para que deixemos de nos preocupar com o “será que chega, será que não chega…”. Nos primeiros dias com o i3, a questão nem se colocou. Bateria bem acima dos 50% dá tranquilidade. A autonomia inicial era de 200 km. Vai descendo… mas a informação apresentada é sempre muito fiel à realidade.

Volta a casa, volta ao trabalho, um passeio aqui e outro ali. Tudo tranquilo. Embora a bateria continue em forma, o vício de olhar para os postos de abastecimento espalhados pela capital vai criando alguma ansiedade. Sempre que passámos, havia fios por todo o lado. Carros atrás de carros ligados à corrente. De manhãzinha, à hora de almoço… até à noite. E quando finalmente baixámos dos 50%, a ansiedade aumentou.

“Está muito aflito? Posso desligar”

Segundo dia com o i3 superado, no terceiro começou a caça ao posto de carregamento. Pode parecer exagero a expressão “caça”, mas é a que melhor se adequa à experiência vivida. Pode ser falta de prática — afinal, quem vive mesmo com um elétrico começa a conhecer as rotinas –, mas efetivamente foi a sensação que tivemos de cada vez que nos sentámos ao volante do BMW. Mãos no volante, olhos na estrada, mas sempre em função de radar, a ver se aparecia um posto de carregamento, ora no caminho para o trabalho, ora para casa.

Posto livre, espaço para estacionar um pouco apertado, mas cabe. Bem apertadinho, mas o i3 lá entrou. Ficou “colado” a um Leaf já com alguns aninhos deste carrega/descarrega. “Finalmente”, pensámos nós. Mas rapidamente a sensação de conquista deu lugar ao “não acredito nisto…”. Carro estacionado, cartão da Mobi.e na mão e… um knoc-knoc no nosso vidro do passageiro. “Bom dia! Olhe que só está um a funcionar…”, diz-nos a dona do Leaf.

Ela tinha, pelos vistos, acabado de estacionar o Nissan, ligando-o a um dos dois pontos de carregamento. “Então mas só está um a funcionar?”, perguntamos. “Sim, só”, responde com um ar de quem quase nos pede desculpa por dar a má notícia. “Mas está muito aflito? É que eu posso desligar, se estiver mesmo a precisar“, diz. A oferta é apetecível, mas estamos apenas ligeiramente abaixo dos 50%. Não é aflição. Era mais confortável conseguir carregar, mas não temos argumentos.

Uma “tour” de elétricos

A autonomia vai descendo, descendo e descendo. Não está em estado crítico, até porque quando se muda a configuração do i3 para o modo mais poupado os quilómetros que ainda temos para andar aumentam. Mas agora carregar o carro passou a ser uma missão. Trabalho feito, vamos às compras de Natal. Onde? Ao shopping. “Tem um posto, de certeza…”, pensamos nós. Voltas e mais voltas, piso -1, -2, -3 e… nada. Há outros que têm, mas se com um carro a gasolina ou gasóleo não mudo de rota para ir abastecer, porque haveria de mudar de shopping só para atestar?

Carro ligado, e seguimos “viagem”. Novo dia, nova tentativa. Um almoço de trabalho bem no centro de Lisboa dá o tiro de partida para mais uma caça ao posto. Um posto e… ocupado. Outro e outro, ocupado e, surpresa, ocupado. No retrovisor está outro i3. Parece que estamos a ser perseguidos, mas aos poucos percebemos que a volta que estamos a fazer é a mesma. Um cruzamento e entra um Zoe. “Porra! Agora, ainda me ‘rouba’ o posto…”, pensamos. E lá vamos os três, posto atrás de posto, já quase em desespero.

Finalmente, um posto. Mas o que é esta luz a piscar?

Quase no final da experiência, na última noite antes de devolver o elétrico para voltar à realidade de muitos portugueses, um carro a gasolina, sai-nos a “sorte grande”. Praticamente resignados à ideia de que não vamos sequer tirar o carregador debaixo do capotchegamos a casa e, pasme-se, um lugar livre no posto lá do bairro. Parece mentira. E antes que alguém o apanhe, aí vamos nós. Carro estacionado e vamos a isso.

Abrimos o capot, tiramos o cabo. Ligamos o cabo ao posto e a outra ponta entra no sítio onde na maioria dos veículos está o depósito do combustível. Agora é só passar o cartão. Basta aproximar para conseguir validar o acesso a estes postos de carregamento dito normal — os postos de carregamento rápido agora são pagos e, por isso, ficaram fora do ensaio já que para isso as marcas teriam de ter um contrato para cada cartão que fornecessem quando cedem um modelo como este para teste.

Tudo a correr bem, exceto a mensagem estranha que aparece no i3. Parece que não está a carregar. Parece que vai carregar, mas depois algo falha. Tentamos uma, duas, três vezes e… nada. “Então? Que raio se passa aqui?”. Enquanto o elétrico ao lado, um habitué daquele posto, tem uma luz verde, nós temos direito a uma luz intermitente. É azul. E? O que é que isso quer dizer? Smartphone na mão e lá temos a má notícia: está avariado. Parece impossível.

Anos e anos de investimento numa rede de carregamento de carros elétricos. Anos de instalação de postos de abastecimento por todo o país, mas quando finalmente estes postos têm uso efetivo há problemas de funcionamento. E agora estes problemas fazem mossa no dia a dia dos muitos portugueses que escolheram os elétricos como transporte principal — uma realidade que vai continuar a ganhar expressão. Contactada, a Mobi.e não respondeu a qualquer das questões colocadas pelo ECO. Provavelmente só será mais solícita quando este postos ainda grátis passarem, tal como os rápidos, a ser pagos.

retirado de eco

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Número de carros elétricos em Portugal duplica num ano

As vendas de automóveis totalmente elétricos estão a acelerar. Com o aumento registado no ano passado, o número de veículos 100% elétricos nas estradas mais do que duplicou.

O parque automóvel português está a ficar mais “verde”. Assiste-se a uma quebra no número de veículos a gasóleo, mas também a gasolina, ao mesmo tempo que os carros 100% elétricos conquistam mais consumidores. No espaço de um ano, com as vendas de elétricos a disparar, mais do que duplicou o número de veículos que utilizam apenas baterias como forma de propulsão.

Esta evolução traduz o forte crescimento das vendas de ligeiros de passageiros 100% elétricos, que totalizaram 4.073 unidades. Este número representa um crescimento de 148,4% face ao ano anterior.

Segundo o Negócioso peso dos automóveis 100% elétricos nas vendas totais ascendeu, no ano passado, a 1,8% do total, entre os automóveis ligeiros. Considerando os híbridos, a quota destes carros “verdes” ascendeu a 6,6%. O diário de economia diz que se trata de um dos valores mais elevados na Europa.

retirado de eco

Scania desenvolve camiões a hidrogénio

 

A Scania está a desenvolver um camião de recolha de resíduos sólidos urbanos movido a pilha de combustível. O veículo está a ser desenvolvido em conjunto com a Renova, uma empresa sueca de gestão de resíduos.

O veículo tem conclusão prevista para entre o fim de 2019 e o início de 2020. O projeto está a ser implementado em cooperação com a Agência Sueca de Energia e o Instituto Real de Tecnologia de Estocolmo.

“Estamos muito interessados ​​em adquirir mais experiência em células de combustível nas operações reais dos clientes”, indica Marita Nilsson, project manager de tecnologia de eletrificação na Scania. “A célula de combustível constitui uma tecnologia promissora na necessária descarbonização dos transportes”, acrescenta.

“A eletrificação com recurso a células de combustível alimentadas a hidrogénio é uma alternativa altamente atraente para veículos comerciais pesados como os camiões do lixo”, refere, por seu turno, Hans Zackrisson, chefe de desenvolvimento da Renova.

“Os camiões beneficiam de todas as vantagens da eletrificação ao mesmo tempo que mantêm alguns dos melhores aspetos das operações com combustíveis fósseis, ou seja, autonomia, horas de serviço e carga útil”, diz.

Retirado de drive

Compra de carros cresceu 2,6% em 2018

Mercado dos ligeiros de passageiros foi o que mais subiu, incluindo os segmentos de luxo. Renault continua líder, Volkswagen com a maior quebra.

O número de novos veículos em Portugal subiu 2,6% em 2018, face a 2017. Os ligeiros de passageiros foram os que mais contribuíram para este resultado (mais 2,8% do que o ano anterior), seguidos dos ligeiros de mercadorias (mais 2%). Nos veículos pesados, 2018 registou uma queda de 2%. Contas finais, foram matriculados 273.213 novos veículos em Portugal, dos quais 83,5% são ligeiros de passageiros – o que inclui veículos todo-o-terreno e monovolumes. É o sexto ano a crescer, mas em clara desaceleração. E para 2019, a indústria estima que se irá manter uma desaceleração ou até mesmo entrar em quebra.

Por marcas, a Renault continua a ser líder na tabela dos mais vendidos no mercado de ligeiros de passageiros. Vendeu 31.215 unidades em 2018, mais 3,7%, resultado que lhe permitiu também aumentar ligeiramente a quota de mercado (de 13,56% para 13,67%). Em segundo lugar ficou a Peugeot, com 22.980 ligeiros (mais 8,9%), seguida da Mercedes, que comercializou 16.464 unidades (mais 1,2%).

A Nissan surge este ano em quarto lugar, com 15.073 carros vendidos, mais 16,2% face ao ano passado, destronando no quarto lugar a BMW, que perdeu 5% em vendas e se viu também ultrapassada pela Fiat em 2018. A marca italiana comercializou 13.888 unidades, um crescimento de 15,5% face a 2017.

Com a marca da Baviera em sexto, segue-se a Citroën (12.813 carros, mais 18%), a Opel (desceu 3,7%, para 12.701), a Volkswagen e a Toyota (10.042, mais 17,7%). O destaque negativo no topo da tabela vai mesmo para o grupo Volkswagen, que perdeu 24,7% das vendas (menos 4000 viaturas ligeiras) no mercado nacional. O fabricante germânico sediado em Wolfsburgo, que detém a maior unidade de produção automóvel em Portugal, caiu num ano do terceiro lugar para o nono.

O crescimento de 2,6% é o mais baixo desde a quebra registada em 2012 e representa uma desaceleração no mercado português que, em 2017, tinha crescido 7,7% face a 2016.

Mais vendas nos segmentos de luxo

Nas marcas de luxo, as compras subiram em 2018 face ao ano precedente: mais 18% (de 311 para 367 unidades). A venda de Lamborghinis em 2018 cresceu 75% (de quatro unidades para sete), a Aston Martin registou uma descida (de 16 para dez), venderam-se 14 Alpine (zero em 2017), 17 Bentleys (dez em 2017), 23 Ferraris (20 em 2017), 36 Maseratis (52 em 2017) e 260 Porsches (207 em 2017).

Os números são da Associação Automóvel de Portugal (ACAP), que divulgou nesta quarta-feira os dados provisórios das vendas de Dezembro de 2018 e para o total do ano. E o que se verifica é que a compra de carros em Dezembro “confirmou a tendência de queda iniciada em Setembro”. Face ao período homólogo, os 16.157 carros matriculados em Dezembro de 2018 representam uma descida de 5,3%.

“Já esperávamos uma consolidação do mercado, um crescimento menos acelerado, e vendas mais ou menos em linha com as de 2017, por causa da entrada em vigor do ciclo de emissões WLTP, que vai ter forte impacto na fiscalidade automóvel”, comenta Hélder Pedro, secretário-geral da ACAP. O mesmo responsável admite que este facto vai levar o mercado a manter uma tendência de desaceleração em 2019, “eventualmente até com uma ligeira queda”.

A norma WLTP entrou em vigor a 1 de Setembro e, por isso, houve vendas que foram antecipadas, o que ajudará também a explicar por que razão as vendas em comparação homóloga seguem em queda desde esse mês, destaca o mesmo responsável. A sigla WLTP traduz-se por Worldwide harmonized Light vehicles Test Procedure – uma nova norma de medição de emissões, que se baseia em dados de condições reais de condução, o que eleva o montante de emissões dos carros.

O governo português previu uma “taxa de desconto” no Orçamento do Estado para 2019. Introduziu uma norma transitória de modo a evitar um brutal acréscimo na componente ambiental da fiscalidade automóvel. Mesmo assim, há motorizações cujos impostos aumentammuito acima da actualização pela taxa de inflação. A regra é que os carros mais poluidores vão ser mais castigados nos impostos (ISV e IUC).

Retirado de público