Tamai. Esqueça a Tesla. Este português quer passar o seu carro para elétrico

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Pedro Lopes transformou um Ford Capri de 1973 num automóvel 100% elétrico. Do seu projeto nasceu a oficina Tamai, especializada em restauro.

Não há nenhum curso superior de Engenharia Mecânica, mas há um grande saber adquirido ao longo dos anos. “O meu pai era mecânico de aviões e nos tempos livres reparava carros. Eu acompanhava-o muitas vezes, desde muito pequeno, 7 ou 8 anos. Fiquei a saber tudo o que precisava”, conta Pedro Lopes, que, em 2001, decidiu comprar um carro antigo num ferro-velho. Marca Ford. Modelo Capri. Ano 1973.

“Estava irreconhecível. Restaurei-o todo em 2004. Ficou um carro para pequenas voltas, mas a minha ideia era tê-lo para o meu dia–a-dia. Só que não era viável.” Problema? Alimentar a máquina. Reparou que, mesmo para trajetos curtos, gastava demasiado em combustível. Foi nessa altura que começou a pesquisar a internet. “A ideia inicial não era transformá-lo num carro elétrico. Era só arranjar um motor mais moderno. Mas acabei por ir dar a uma página de um automóvel movido a eletricidade, e fiquei impressionado.”

De pesquisa em pesquisa, Pedro quis saber como seria possível modificar o seu Ford e torná-lo 100% elétrico. No Estados Unidos há várias pessoas que transformam viaturas clássicas, e o português foi estudando a melhor maneira de fazer o mesmo. Começou a encomendar peças. “O meu carro tem componentes australianos, um motor búlgaro e um controlador chinês. A pesquisa foi feita em 2012, comecei a transformá-lo em janeiro de 2013 e terminei em janeiro de 2014.

O investimento foi de cerca de 15 mil euros, sem contar com as horas de trabalho, que Pedro Lopes calcula que tenham sido mais de mil. “Eram cinco horas por dia, quase todos os dias. Eu nem dormia, quase.” Nunca largou o seu emprego, no ramo da informática e das telecomunicações.

Um ano depois, tinha o carro pronto. É um automóvel com uma autonomia de 50 quilómetros. “Só dá para isso porque foi feito com baterias baratas. Com baterias de lítio ficava muito mais caro. Neste momento, tem 16 baterias que lhe dão para a rotina. Ir de casa para o trabalho ou ir buscar as minhas filhas à escola.” O carregamento total das baterias demora quase um dia.

O passo seguinte era transformar o projeto num negócio. Com essa intenção, Pedro Lopes foi fazer uma pós-graduação em Gestão e apresentou um plano de negócios ao diretor da escola. “Ele não achou que seria muito rentável. Mas também não ligava muito a carros e eu acredito que este seja um negócio mais de nicho”, justifica Pedro.

Ainda assim, foi adaptando o seu plano e decidiu começar com um passo mais simples. Junto com a mulher, decidiu abrir uma oficina em Loures, para restauros de automóveis. “Chama-se Tamai porque ela é Tânia e os meus amigos tratam-me por Maia. Para já só está ela aqui, eu continuo com o meu trabalho. Só por uma questão de segurança. Ganho bem e vivemos os dois do meu salário.” De todas as pessoas que trabalham na oficina, Tânia é a única que não recebe, de forma que todo o lucro da empresa seja para reinvestir e fazê-la cresce.

Para já nos restauros de carros, Pedro Lopes acredita que, mais dia menos dia, a Tamai vai acabar por fazer transformações de automóveis para elétricos. “Não é um negócio de grande escala. Ninguém vai querer transformar um Opel Corsa, porque terá de investir muito dinheiro e, no final, será sempre um Opel Corsa, um carro que vale pouco. Mas acredito que, para viaturas clássicas ou de coleção, com motores que utilizam muito combustível, é uma opção bastante viável”, assegura.

O seu único problema diz respeito a questões burocráticas. Um importante fator de desmotivação foi o atraso no processo de regularização do seu Ford Capri. “O carro está todo conforme a legislação portuguesa e europeia, mas preciso de uma empresa que mo certifique, para que o Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) o deixe andar com ele na rua. Essa parte está ser o mais difícil. O processo é todo muito burocrático. Está há anos a arrastar-se”, lamenta.

Fora isso, tudo o resto corre de feição. “O negócio está ótimo. Sustenta-se sozinho e até tem crescido. Eu acredito que, em algum momento, vou largar o meu emprego e vir para aqui de vez. Nem que seja daqui a dez anos.” No sonho do fazedor, nessa altura, a Tamai já será bem maior, ele já se poderá dedicar por completo à oficina e, claro, o negócio da transformação de carros em viaturas 100% elétricas já será uma realidade.

Retirado de dinheirovivo

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Publicado por

Marcelo Oliveira

Profissional com experiência consolidada na Gestão de Frotas em empresas de serviços de transporte ou com parque automóvel de volume. Mais detalhes em https://marceloxoliveira.com/quem-e-marcelo-oliveira

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