A história do primeiro português a processar a VW pelas emissões

Nélson Matos avançou sozinho apesar da falta de apoio de outros clientes e da Associação de Defesa dos Consumidores. Preocupado com a falta de garantias e confiança, decidiu esquecer o “medo de uma organização poderosa” e avançar para os tribunais.

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A história de Nélson Machado Matos com carros do grupo Volkswagen já é bastante antiga. Começou por ser dono de um VW Polo, passou depois a conduzir um Audi A3 e desde 2008, tem um VW Scirocco 2.0 TDI Sport, carro que é o centro da discórdia entre o cliente, a concessionária Melvar e a representante máxima da marca alemã em Portugal, a SIVA. 

Quando o escândalo das emissões rebentou nos Estados Unidos durante o ano passado, os portugueses estavam longe de imaginar que seriam arrastados pela onda de alterações fraudulentas nos motores dos carros do grupo Volkswagen.

A polémica chegou aos mais altos líderes do gigante alemão, mas os efeitos colaterais em Portugal apenas foram conhecidos quando a SIVA disponibilizou no seu site uma ferramenta de verificação dos números de chassis de cada veículo. Através da introdução dos dados do carro, Nélson Matos descobriu que estava entre os afetados.

“Senti-me enganado”, explica o terapeuta de medicina alternativa em entrevista ao Economia ao Minuto. Apesar de reconhecer que o VW Scirocco “nunca deu nenhum problema”, Nélson fala de uma quebra de confiança que levou a um extremar de posições.

“A relação entre uma pessoa e uma empresa baseia-se num ponto essencial que é a confiança. Iria confiar de novo nessa empresa?”, questiona o terapeuta, assegurando também que “não aceitava” a recolha do carro para correção do problema de emissões excessivas de NOx caso fosse contactado pela SIVA.

O cliente abordou a Melvar, concessionária responsável pela venda do veículo, para tentar uma resolução pacífica. No entanto, as reuniões no Centro de Arbitragem do Setor Automóvel acabaram sem sucesso, com Nélson a falar de uma avaliação injusta do veículo.

“Foi proposta uma troca com pagamento da diferença, com uma avaliação de 11.000 euros. No entanto, quando me desloquei à Santogal e a outas concessionárias, a avaliação do carro foi muito maior”, explica o terapeuta. Rejeitando a resolução proposta pela representante da Volkswagen, Nélson decidiu por isso avançar para o Tribunal da Comarca de Lisboa com um processo: “Pretendo que o valor pago seja devolvido. Eu devolvo o carro”.

Contas feitas, Nélson Machado reclama 33.000 euros, o mesmo montante que pagou em 2008 pelo Volkswagen Scirocco, ou a troca do modelo antigo por um novo Scirocco deste ano. “Tenho de lutar pelos meus direitos. Calamo-nos uma vez, calamo-nos para sempre”, explica o terapeuta, apesar de admitir que “há muito medo” de enfrentar a poderosa fabricante alemã.

O Economia a Minuto contactou a SIVA e a Melvar para tentar ouvir a versão contrária e obter mais esclarecimentos sobre o único processo ligado ao escândalo das emissões em Portugal, mas as representantes da Volkswagen preferiram manter o silêncio enquanto decorre o processo na Justiça. No entanto, ficou prometido um esclarecimento detalhado do caso após a resolução nos tribunais.

Retirado de noticias ao minuto

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Publicado por

Marcelo Oliveira

Profissional com experiência consolidada na Gestão de Frotas em empresas de serviços de transporte ou com parque automóvel de volume. Mais detalhes em https://marceloxoliveira.com/quem-e-marcelo-oliveira

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