Europa pode ter novo modelo energético e voltar a crescer

electricity_plug-134357Os EUA anunciaram recentemente que estão muito perto de conseguirem a tão desejada autonomia energética com as recentes descobertas de shale gas, ou seja, gás natural presente em formações de xisto. Os analistas do ActivoBank colocaram a questão premente de eventual compra de gás aos EUA pela Europa, a fim de reduzirem custos e tornar as perspetivas de crescimento europeu mais realistas.

Os EUA perspetivam tornarem-se exportadores de gás natural, antecipando que entre 2020 e 2030 terão um superavit na balança comercial de energia.

Os estudos são da PwC, que adiantam estarem os EUA à procura de formas de energia alternativas ao consumo de petróleo. O gás natural é uma solução, como o poderia ser para a Europa, pois existem reservas relevantes em França, Alemanha, Polónia e Ucrânia.

Os analistas do Activo Bank perguntam por que razão não pode a Europa comprar energia aos EUA, tendo em conta que os mercados tendem a ser eficientes. Ao lançarem este desafio, os analistas revelam que os EUA têm preços de gás natural da ordem de um terço dos praticados na Europa, sendo que os preços europeus são muito idênticos aos praticados em alguns países emergentes.

Por outro lado, o custo de eletricidade nos EUA é cerca de metade da média europeia, e quando se entra nos refinados os EUA ganham à generalidade dos países europeus.

Os EUA têm uma “vantagem competitiva que talvez não possa ser rapidamente replicada do nosso lado do Atlântico”, avançam as mesmas fontes, e realçam que “ao comportar custos de energia mais elevados, as indústrias europeias sofrem de uma limitação que implica que produtos iguais tenham custos de produção diferentes se forem produzidos nos EUA ou na Europa”.

Os analistas do ActivoBank concluem que se as diferenças de custo de energia se mantiverem “poderemos estar então preocupados com as condições de uma eventual parceria transatlântica para o investimento e comércio, cujas repercussões seriam certamente diferentes para cada país, mas onde previsivelmente, países com indústrias mais dependentes de consumo energético e de menor valor acrescentado sofreriam mais.

Como voltar ao crescimento na Europa

A Europa aguarda para meados de 2013 a retoma e o crescimento económico, salienta a Ernst & Young (E&Y) no Eurozone Forecast (EEF) apresentado recentemente. A previsão indica uma inversão a meio do ano.

Mas, a realçar estas conclusões estão desafios tremendos e que tende a minar a frágil confiança. Veja o recente caso de Chipre, com soluções que parecem difíceis e, sobretudo revelam a inconsistência dos líderes políticos.

A E&Y fala em desafios políticos em vários países da zona Euro, a par dos elevados níveis de desemprego e da redução dos gastos dos consumidores, a par do aperto fiscal. O BCE está em risco sistémico e as economias da zona Euro estão em queda acentuada desde julho, voltando-se a níveis de 2007. Os analistas realçam que apesar do crescimento económico aguardado para a segunda metade de 2013, é esperada uma quebra geral do PIB em 0.5%, isto depois de uma queda semelhante em 2012

Para 2014, a previsão aponta para um crescimento lento de 1,1%. Um crescimento que será seguido por uma lenta expansão nos anos seguintes, à média de 1.4% ao ano entre 2014 e 2017, quase um ponto percentual abaixo da média de 2,3% verificado na zona Euro há cerca de uma década. O contraste entre o baixo crescimento nos países do centro da zona Euro e a recessão em curso nos países periféricos irá permanecer este ano, apesar das melhorias da produtividade do último ano permitirem reduzir a distância em 2014.

Marie Diron, senior economic adviser do Ernst & Young Eurozone Forecast, comenta em nota que “não há dúvida que a zona Euro está em muito melhor forma do que há seis ou nove meses atrás, que essa positividade se percebe e reflete no share prices por toda a Europa. No entanto, continua a verificar-se um atraso significativo entre a exuberância relativa que temos assistido nos mercados financeiros e a confiança na economia real. Esperamos que a confiança das empresas e das famílias seja retomada, mas de modo mais gradual do que os recentes movimentos do mercado financeiro”.

Mark Otty, Ernst & Young Area Managing Partner for Europe, Middle East, India and Africa, comenta que “ao longo da estrada para a recuperação económica houve muitos falsos amanheceres. No entanto, a sensação que temos é de que as empresas europeias estão a começar a levantar as suas expectativas em termos de planos de investimento. Contudo, as empresas europeias que desejam competir com outros mercados desenvolvidos e novos jogadores emergentes têm ainda muito para fazer ao nível da melhoria da produtividade e inovação”.

Bons sinais na periferia

Apesar do contraste de crescimento entre o núcleo e a periferia da zona euro, há sinais de que a situação dos países para além do núcleo está a melhorar.

De acordo com o Ernst & Young’s Forecast é expectável que o ritmo de contração na periferia desacelere de 1,9% em 2012 para 1,4% em 2013. Este é o cenário que antecede 2014, ano que se espera ser de retorno ao nível do crescimento. Na base desta previsão está o trabalho que está a ser desenvolvido por alguns países da periferia, e que tem em vista reformar as suas economias. Alguns dos resultados são visíveis a nível da melhoria da competitividade internacional.

Retiro de OJE

Publicado por

Marcelo Oliveira

Profissional com experiência consolidada na Gestão de Frotas em empresas de serviços de transporte ou com parque automóvel de volume. Mais detalhes em https://marceloxoliveira.com/quem-e-marcelo-oliveira

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