Gestores de frotas prevêem prolongar utilização

vendas-auto01Os decisores sobre a gestão das frotas das empresas portuguesas revelam um comportamento muito cauteloso perante os efeitos da actual crise económica , optando por adoptar restrições nos seus investimentos, na maioria dos casos em contraciclo com as expectativas evidenciadas na generalidade do mercado europeu, conforme permite concluir o Barómetro Corporate Vehicle Observatory 2013 (CVO), um estudo apresentado anualmente pela Arval, empresa do Grupo BNP Paribas especializada no aluguer operacional de viaturas (AOV/renting) e gestão de frotas, em parceria com a CSA, companhia especializada em estudos de mercado.

Segundo o CVO 2013, um dos comportamentos previsíveis dos gestores de frotas lusos será o prolongamento no tempo do prazo de vigência dos contratos de AOV/renting celebrados ou a celebrar, alargando assim o período do investimento, especialmente ao nível das pequenas empresas. Esta tendência de aumentar o período de utilização das viaturas também é detectável na Europa, mas, neste caso, de forma mais clara no que se refere às grandes empresas.

O estudo indica ainda que, embora 24% das grandes empresas preveja uma redução da sua frota, as previsões deste segmento, nos meses mais recentes de 2013, revelam uma melhoria de 1% face aos dados de 2012, indiciando até que o mercado automóvel nacional talvez já tenha batido no fundo. Curiosamente, as expectativas dos gestores inquiridos na generalidade dos países europeus apontam para um crescimento sustentado das suas frotas, no próximo triénio, a um ritmo de cerca de 10%.

Outra conclusão curiosa que é possível extrair do CVO 2013 é a de que as decisões estratégicas em relação às frotas são cada vez mais assumidas pelo topo da gestão das empresas, certamente devido à necessidade de optimizar os investimentos em tempo de crise, sendo essas decisões tomadas ao nível de direcção-geral em 93% das pequenas e microempresas e em 61% nas médias e grandes empresas.

Leasing financeiro lidera o financiamento

Tendo por base os dados consolidados dos últimos três anos e as respostas das empresas entrevistadas no âmbito do CVO, conclui-se que o principal método de financiamento da aquisição das viaturas das respectivas frotas em Portugal é o leasing financeiro (50%), seguido da aquisição própria (35%) e do crédito automóvel (11%), só depois surgindo o leasing operacional/renting, com apenas 4%.

Tendo em consideração a situação no mercado europeu e mesmo no espanhol, é possível encontrar realidades substancialmente distintas, nomeadamente com a aquisição própria (48%) a superar, de forma clara, o leasing financeiro (29%) no mercado europeu, onde se verifica um maior equilíbrio entre o crédito automóvel (13%) e o leasing operacional/renting (10%). Em relação ao caso de Espanha, sublinhe-se que a divisão entre os diferentes métodos de financiamento é ainda mais equilibrada, com o crédito automóvel a atingir os 17% e o leasing operacional/renting a chegar já aos 15%, o que revela o amadurecimento deste produto no mercado do país vizinho.

Observando as variações verificadas no recurso aos diferentes métodos de financiamento consoante a dimensão das empresas, conclui-se que, em Portugal, a utilização do leasing operacional cresce na razão directa da dimensão das organizações, sendo quase residual (4%) nas micro empresas, mas apresentando-se como o método dominante nas grandes empresas (44%), uma tendência idêntica à que se verifica no mercado europeu, onde a penetração deste método varia entre os 8% nas micro e os 49% nas grandes empresas.   Em relação aos motivos que sustentam a opção pelo aluguer operacional/renting, o custo mensal fixo é de longe o mais referido pelos decisores e gestores de frotas (43%), seguindo-se, já a grande distância, a inclusão dos serviços (22%), a redução das tarefas administrativas e o controlo do orçamento (14%). Curiosamente, o factor custo, ou seja, o facto de o aluguer operacional/renting se apresentar como uma solução efectivamente mais barata, não é tido em conta pela generalidade dos inquiridos.

Utilização mais permissiva das viaturas

São substancialmente diferentes as práticas de utilização das viaturas das frotas permitidas pelas empresas lusitanas aos seus colaboradores quando comparadas com aquilo que se passa na Europa. Em Portugal, possivelmente porque o uso do veículo da empresa é muitas vezes entendido como parte integrante do vencimento do colaborador, verifica-se que o uso total da viatura (profissional e pessoal) beneficia 74% dos colaboradores nas pequenas e microempresas, aplicando-se a 68% dos colaboradores quando se trata de médias e grandes empresas. Já na Europa, o uso total da viatura da empresa pelos colaboradores não chega sequer aos 50%. Curiosamente, no que toca às viaturas comerciais, a situação lusa aproxima-se da europeia, pois aqui o uso total da viatura é muito reduzido (29% em Portugal e 16% na Europa).

No que diz respeito às acções que os responsáveis pelas frotas das empresas nacionais dizem ter planeadas para reduzir o impacto ambiental das respectivas viaturas, ganha nítida preponderância a mudança para veículos menos gastadores de combustível, seguida já a uma distância considerável da mudança para veículos menos poluentes. Também a reorganização de procedimentos da equipa comercial com vista à redução de deslocações é referida por 20% dos inquiridos como uma forma de proteger o meio ambiental.

Por outro lado, a fraca penetração dos veículos eléctricos na composição das frotas das empresas em Portugal é explicada pelos respectivos responsáveis por três razões essenciais: a reduzida autonomia das viaturas, o escasso número de postos de abastecimento e as incertezas técnicas que ainda subsistem sobre este tipo de veículos. Sublinhe-se que o tipo de resposta não varia muito em função da dimensão das empresas, nem sequer quando comparamos a opinião dos gestores portugueses com as dos restantes europeus.

Uso limitado de telemáticas

Monitorizar os comportamentos dos condutores (49%) e localizar as viaturas (47%) são os principais motivos que levam as empresas portuguesas a recorrer às telemáticas nas suas frotas, seguindo-se o objectivo da redução do consumo de combustível (35%). Na Europa, a função de localizador de viaturas é largamente referida como o motivo principal (61%) para o uso deste tipo de equipamentos

No entanto, de acordo com o CVO 2013, é ainda uma percentagem muito limitada de empresas que recorre à utilização de telemáticas nas viaturas das suas frotas, principalmente quando falamos de pequenas e microempresas, onde o uso desta tecnologia se fica pelos 5%. Também a nível europeu encontramos uma situação semelhante, o que indicia que as empresas ainda hesitam na aposta nestas soluções, facto a que não será alheia a rápida evolução tecnológica verificada nesta área, com os novos aparelhos de telecomunicações a responderem a muitos dos itens pretendidos.

Retirado de lusomotores

Publicado por

Marcelo Oliveira

Profissional com experiência consolidada na Gestão de Frotas em empresas de serviços de transporte ou com parque automóvel de volume. Mais detalhes em https://marceloxoliveira.com/quem-e-marcelo-oliveira

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