Manutenção/Reparação de Embraiagens

A embraiagem é um componente muito específico, que obriga para a sua montagem a várias horas de trabalho, pelo que o mecânico não arrisca utilizar produtos de qualidade inferior. Trata-se de um mercado cada vez mais emergente com marcas de prestígio e qualidade de 1º equipamento.

1O período normal de operacionalidade das embraiagens andará à volta de 5 anos, considerando que a quilometragem média alcançada nesse período oscile entre os 60 e os 120 mil km. Nesta altura, são vulgares os problemas no circuito hidráulico de comando, seguindo o cansaço das molas e o desgaste do próprio disco de fricção.

As fugas no sistema hidráulico da embraiagem são praticamente inevitáveis, pois os respectivos retentores estão sujeitos ao atrito dos respectivos veios, havendo ainda os problemas de endurecimento pelo efeito das altas temperaturas e da pressão. Quando o nível do fluido é suficientemente baixo, o ar penetra nas tubagens a partir da bomba e o comando deixa de ser eficiente, tornando difícil o engrenar as mudanças e podendo causar sérios danos na caixa de velocidade, para além de tornar a condução problemática e aleatória.

A verificação frequente dos níveis de fluidos permite detectar quando se iniciam as fugas e qual a sua gravidade e sanar a anomalia antes que se torne crítica. As fugas também podem ter origem nas próprias condutas, devido a impactos ou corrosão, 2podendo ainda haver problemas com as respectivas extremidades e fixações. Quando ao stress das molas, que podem ser de diafragma ou grupos de molas helicoidais, ele ocorre em função do número de vezes que o pedal da embraiagem é comprimido e do tempo em que o pedal fica comprimido. Quanto mais tempo uma mola passar em compressão, sem recuperar, maior é a probabilidade de perder a sua elasticidade normal, acabando por recuperar cada vez menos, até se tornar inútil.

Cuidados de condução

3Quem usa a embraiagem em vez do ponto morto da caixa de velocidades, está literalmente a “assassinar” a embraiagem, podendo reduzir a sua duração em bastante mais do que 50%. Se o uso da embraiagem for relativamente normal, a substituição das molas ocorre ao mesmo tempo que a troca do disco de fricção. Hoje em dia são frequentes os sistemas de afinação automática da folga do disco, em função do seu desgaste, mas é necessário ter em conta que a afinação põe à prova o estado das molas.

Quando as molas estão fracas ou o disco demasiado gasto a embraiagem patina, havendo perda de potência e risco de gripagem da própria embraiagem. Por outro lado, ao fim de elevadas quilometragens, como os volantes são cada vez mais ligeiros, pode colocar-se o problema do desgaste do próprio volante, que deve ser reparado ou substituído. A caixa de velocidades é um órgão mecânico sólido, mas também pode sofrer as consequências do mau uso e do abuso. As passagens de mudanças muito bruscas criam grandes diferenciais de rotação dentro da caixa, pondo à prova os sincronizadores e os rolamentos. Estes são, aliás, os componentes mais frequentemente substituídos.

No caso de condutores mais “compulsivos” as próprias forquilhas podem apresentar grandes folgas, o mesmo acontecendo com os veios das caixas, exigindo grandes reparações ou a completa substituição da caixa de velocidades. Nos sistemas automáticos, a pedra de toque da manutenção é a mudança do fluido nos prazos recomendados. As mudanças de fluido devem incluir lavagens de todo o sistema, com fluido específico apropriado, pois criam-se lamas no interior da caixa, que entopem os canais hidráulicos de comando. Nas elevadas quilometragens podem também ser necessária a substituição de rolamentos, engrenagens e cintas dos travões internos da caixa. Nos sistemas de variação contínua a atenção deve recair no estado da correia de transmissão, a qual tem prazos previstos para mudança preventiva.

A reparação das embraiagens

4Salvo em raros casos, as embraiagens já são substituídas fora do período de garantia do veículo, pelo que a maioria das reparações ocorre em oficinas de reparação independentes. Uma vez que a quilometragem já é elevada, os paliativos são uma solução meramente temporária, sendo aconselhável a substituição dos principais elementos (disco, rolamento, mola, etc.). O prato de pressão e o volante motor, se estiverem muito gastos, devem ser igualmente substituídos. A blindagem, ou caixa, da embraiagem é recuperável se não estiver deformada.

Actualmente, as principais marcas de fabricantes comercializam kits completos de reparação, o que tem vantagens de preço, qualidade e rapidez de serviço, para além da garantia de reparação. No que respeita ao circuito de comando, deve ser completamente revisto, a fim de detectar fugas e outros problemas, que podem comprometer seriamente o resultado da reparação. Existem também embraiagens recuperadas no mercado, as quais apresentam vantagens em relação à protecção do ambiente (reciclagem) e claras vantagens de custo. A sua montagem, no entanto, deve ter a anuência prévia do proprietário do veículo e só terá justificação quando o seu valor comercial já for baixo. As embraiagens novas estão com melhor relação preço/qualidade, embora o seu custo tenha aumentado e a qualidade a nível de equipamento original nem sempre seja o que se poderia esperar. As embraiagens reconstruídas apresentam mais vantagens nos pesados, não só porque o preço das novas é mais elevado, como os elementos recuperados são mais resistentes, apresentando, em geral melhor, condição do que nos ligeiros. A manutenção dos sistemas de embraiagem é geralmente descurada, mas é recomendável eliminar as folgas do comando e da própria embraiagem, nos casos em que não forem auto-ajustáveis.

Leg. A

Um sistema de embraiagem completo inclui o volante do motor, um prato de pressão, um disco de embraiagem e um rolamento de encosto.

Leg. B

Uma embraiagem está concebida para durar muitos anos, quando não mesmo toda a vida útil do automóvel, desde que não seja utilizada de forma abusiva pelo condutor.

Leg. C

Para reduzir os ruídos provenientes do movimento das engrenagens no interior da caixa de velocidades, é aconselhável a montagem de discos de embraiagens com amortecedores de torção.

Leg. D

A embraiagem moderna deverá permitir um arranque suave e sem solavancos, assegurar o rápido engate das mudanças, afastar vibrações de torção derivadas do motor da caixa de velocidades, minimizando, assim, os ruídos de matraqueado e o desgaste, ser resistente e fácil de substituir.

Leg. E

As embraiagens costumam ser reparadas entre os 60 mil e os 100 mil km de uso, mas há outras que duram 150 mil km ou mais, podendo inclusivamente durar toda a vida útil do veículo, se o condutor for cuidadoso e prudente.

Leg. F

Actualmente, as principais marcas de fabricantes comercializam kits completos de reparação, o que tem vantagens de preço, qualidade e rapidez de serviço, para além da garantia de reparação.

Leg. G

Existem embraiagens recuperadas no mercado, as quais apresentam vantagens em relação à protecção do ambiente (reciclagem) e claras vantagens de custo.

Leg. H

As embraiagens reconstruídas apresentam mais vantagens nos pesados, não só porque o preço das novas é mais elevado, como os elementos recuperados são mais resistentes, apresentando, em geral, melhor condição do que nos ligeiros.

Retirado de jornaldasoficinas

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Publicado por

Marcelo Oliveira

Profissional com experiência consolidada na Gestão de Frotas em empresas de serviços de transporte ou com parque automóvel de volume. Mais detalhes em https://marceloxoliveira.com/quem-e-marcelo-oliveira

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