Preços maiores, rendas menores?

1Nest edição, vamos dar resposta a uma questão, recorrente entre os consumidores que não estão familiarizados com o renting.

Porque é que, em renting, por vezes, carros com preço de compra mais caro têm rendas menores que carros menos onerosos?

Para quem não está familiarizado com a modalidade de renting, este é um tema que pode suscitar dúvidas quando se comparam rendas entre veículos e se confronta com o respetivo PVP (Preço de Venda a Público sem desconto).

Nas modalidades de financiamento “puro”, o consumidor paga o veículo na totalidade (ou quase) pelo que a relação entre o preço do veículo e a renda mensal é direta, ou seja, quanto menor o preço do carro, menor a renda mensal, induzindo o consumidor (em erro) a procurar o carro com o menor custo de aquisição. Mais à frente explicarei porquê “em erro”.

No renting, uma vez que o veículo no final do contrato é devolvido ao prestador do serviço de renting, o consumidor apenas paga o que utiliza, ou seja, a diferença entre o custo de aquisição do veículo e o valor estimado de venda do veículo em usado.

Este último é determinado pela empresa de renting com base em modelos estatísticos com algumas variáveis que lhes permitem estimar com um elevado grau de precisão o valor de venda do veículo no futuro. Nestas variáveis, existem duas que se destacam:

– A apetência dos compradores por aquele veículo em usado, o que influencia diretamente o seu valor de venda na medida em que determina quanto é que o comprador está disposto a pagar por aquele veículo.

– O momento do ciclo de vida em que o modelo se encontra sendo que, quanto mais recente o modelo, maior será o seu valor residual, decrescendo conforme o modelo se aproxima do fim do seu ciclo de vida, ou seja, da sua substituição por um novo modelo.

Ora, é precisamente este valor estimado de venda do veículo em usado que faz toda a diferença quando se comparam PVP, pois podemos ter dois veículos exatamente com o mesmo PVP, mas com valores residuais estimados completamente diferentes fazendo com que o seu custo mensal seja, também ele, diferente. Mais, podemos e temos veículos cuja renda mensal é menor que a de veículos com PVP inferiores. Se juntarmos a este fator a política comercial dos fabricantes (descontos), então a complexidade da análise torna-se ainda maior. No gráfico ao lado, é possível constatar casos desses.

Da amostra apresentada verifica-se que o Chevrolet Cruze é o que tem o menor P.V.P. mas o que tem a maior renda mensal, fruto do seu menor valor residual e de uma política comercial (desconto) menos agressiva que outros concorrentes, chegando ao extremo de a renda mensal de um BMW 116d ser inferior em 6% quando o seu PVP é 25% superior ao do Chevrolet Cruze existindo, portanto, uma diferença de 31%!

Por outro lado, o Skoda Octavia é, não só o que apresenta o terceiro maior PVP desta amostra como o mais “antigo” mas, no entanto, o que apresenta a menor renda mensal. Neste caso, o Skoda é beneficado, não por ter um valor residual elevado, mas por conciliar um valor residual equilibrado com uma campanha comercial por parte da Skoda que permite a este modelo, mesmo em final de vida (novo modelo em 2013), apresentar-se muito competitivo.

O resultado do BMW 116d decorre de ter um valor residual muito bom e de uma campanha comercial por parte da BMW também ela muito competitiva, ao passo que o resultado do VW Golf decorre de ter um PVP competitivo e de um valor residual também muito competitivo fazendo com que, apesar de as condições comerciais (desconto) do fabricante serem “modestas”, este apresente um posicionamento muito competitivo.

Temos, portanto, não só várias formas distintas de abordagem ao mercado por parte dos fabricantes como vários resultados, também eles distintos, resultando numa combinação de hipóteses bastante extensa.

Posto isto, creio que o leitor já terá percebido porque mencionei que é um erro procurar o carro com o menor custo de aquisição. Neste processo extremamente importante e complexo, reside uma das vantagens do renting. Nesta modalidade, o consumidor não só se alheia do risco de seleccionar um veículo errado como a escolha de um veículo é extremamente simples. Basta seleccionar aquele que apresenta a menor renda mensal uma vez que todas as variáveis e incógnitas já estão refletidas nessa renda. Nas outras formas de financiamento, o consumidor não tem como saber qual a melhor escolha porque não tem uma variável fundamental da equação, o valor estimado de venda do veículo em usado. Isso leva a que, quando decidir vender o veículo, seja mais que certo que dificilmente consiga fazer a escolha mais eficiente, incorrendo, portanto, num custo operativo acrescido.

Fonte: Ricardo Silva (Leaseplan), Fleetmagazine

Publicado por

Marcelo Oliveira

Profissional com experiência consolidada na Gestão de Frotas em empresas de serviços de transporte ou com parque automóvel de volume. Mais detalhes em https://marceloxoliveira.com/quem-e-marcelo-oliveira

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