Questões sobre pneus

Acr502774Os mecânicos das casas de pneus são muitas vezes questionados pelos automobilistas sobre assuntos relacionados com a montagem, reparação e especificações técnicas dos pneus dos seus veículos.
Cabe aos mecânicos e proprietários das casas de pneus esclarecer os automobilistas que os visitam, de todas as dúvidas que tenham sobre os pneus das suas viaturas. Uma resposta esclarecedora e objectiva, revela conhecimentos do sector e transmite uma imagem de profissionalismo, qualidade e confiança.
Apesar dos assuntos serem recorrentes para a maioria dos profissionais do ramo, é sempre bom relembrar as respostas às perguntas mais frequentes feitas pelos automobilistas quando visitam as oficinas de reparação de pneus.

É legal reparar pneus direccionais?

Um pneu de um eixo direccional com um furo na banda de rolamento, até um centímetro de diâmetro (3/8″), pode ser reparado, utilizando um taco de borracha e uma unidade de reparação (kit). Se o dano exceder essa dimensão ou o furo se situar no ombro ou nos flancos, o pneu pode ser reparado com uma secção de reparação (reforço estrutural), mas não poderá voltar a ser utilizado num eixo direccional

Existe um limite de idade para as carcaças?

Em princípio, não existe nenhum limite estabelecido, porque não é possível estabelecer se uma carcaça de pneu pode voltar a ser recauchutada, com base apenas na sua idade. Histórico de manutenção da pressão de ar de enchimento, o número de reparações e o número de vezes que já foi recauchutado esse pneu, são igualmente critérios importantes de avaliação, aos quais se deve juntar a idade, que é mais outro critério a considerar. Na realidade, a maior parte dos fabricantes de pneus para veículos comerciais pesados dá uma garantia de pelo menos cinco anos para as suas carcaças, mas não é raro ver pneus com boa manutenção ultrapassarem esse período de garantia.

Porque é que eu tenho que pagar mais por uma reparação completa, se posso simplesmente meter um taco com o pneu montado?

A não ser que alguém possua visão de raios-X, não é possível detectar danos no interior do pneu, com este montado na jante. Ao desmontar o pneu da jante, é possível inspeccionar com cuidado o seu interior, identificando potenciais problemas e efectuando uma reparação do furo com um taco de borracha e um kit de reparação completo. Desta forma, a integridade do pneu é conservada e a carcaça fica protegida, tornando possível uma futura recauchutagem ou a entrega do pneu em troca por outro novo. Se não houver manutenção e cuidados de conservação, um pneu usado torna-se simplesmente um resíduo.

É realmente necessário verificar as porcas de roda entre 100 a 200 km depois de terem sido montados rodados duplos?

Na montagem de rodados duplos, a união aparafusada que junta o cubo da roda, tambor de travão, rodas e anilhas de compressão sofre um ligeira flexão ao carregar o respectivo eixo. Essa flexão inicial afrouxa a união e pode dar origem a que as rodas se soltem. Ao verificar as porcas e o respectivo aperto após os primeiros 100 – 200 km de utilização, pequenas diferenças podem ser detectadas e corrigidas, reapertando correctamente as porcas e/ou substituindo as anilhas.

Porque é necessário montar dois pneus novos no eixo de trás, num carro de tracção dianteira?

Se forem montados pneus novos à frente e ficarem dois pneus usados atrás, a geometria da suspensão fica alterada, tornando mais difícil o controlo da viatura em curvas e ao travar, especialmente em vias molhadas ou de fraca aderência. Além disso, os pneus da frente novos aderem melhor ao pavimento, transferindo a carga para o eixo posterior ao curvar, o que origina geralmente sobreviragem, que é uma situação de maior risco nos carros de tracção anterior, podendo originar despistes e colisões graves.

É possível montar dois pneus de neve (M+S) à frente e deixar os pneus normais no eixo de trás, num carro de tracção dianteira?

O problema aqui é semelhante ao da pergunta anterior, mas torna-se um pouco mais grave, porque as medidas dos pneus de neve são geralmente diferentes dos pneus normais, pois a profundidade do desenho do pneu de neve tem que ser superior, originando uma altura maior da banda de rolamento. Neste caso, os problemas de alteração da geometria original do chassis e de transferência de massas em movimento são mais evidentes, tornando o controlo da viatura muito aleatório, sobretudo a velocidades médias/altas e em estrada normal. Nos veículos de tracção anterior, a única solução é montar 4 pneus de neve iguais nas quatro rodas. Mesmo assim, esse tipo de pneus deve ser utilizado nas condições específicas que justificam a sua montagem, pois, embora ofereçam alguma versatilidade, não podem garantir idêntico desempenho de um pneu de estrada, em circunstâncias normais.

Acr509594Com que frequência é necessário verificar e acertar a pressão dos pneus?

Semanalmente seria o ideal, mas uma vez por mês talvez seja uma periodicidade mais “consensual”. De qualquer forma, a verificação da pressão dos pneus deve ser efectuada quando estes estão frios ou com o carro parado há pelo menos 3 horas.

É realmente necessário apertar as porcas/parafusos das rodas numa oficina especializada?

O aperto das rodas com o binário especificado é um factor importante de segurança e uma forma de evitar anomalias nos cubos das rodas, rolamentos, travões, suspensão, etc. O aperto deve respeitar os valores de binário do construtor e a sequência lógica de aperto. O aperto manual empírico apenas deve ser utilizado em situações de emergência transitórias (furos, acidentes, etc.). Logo que possível, o aperto deve ser verificado numa casa de pneus ou numa oficina de reparação automóvel. Os riscos de rodas desapertadas ou com apertos incorrectos são sobejamente conhecidos, mas os apertos excessivos com chaves de impacto pneumáticas não são menos perigosos.

As especificações do pneu – medidas, índice de carga e código de velocidade – são vinculativas ao substituir os pneus?

Certamente que sim. Cada veículo é calculado e fabricado para proporcionar o máximo rendimento em vários níveis. As especificações do pneu estão estreitamente ligadas às soluções originais aplicadas na suspensão e nos travões de cada modelo. Se for montado um de medidas diferentes ou código de velocidade inferior ao substituir os pneus, a estabilidade e a segurança do veículo ficam comprometidas, o mesmo sucedendo com o conforto em muitos casos. Se o índice de carga for inferior ao especificado de origem, pode haver situações em que o pneu não é capaz de suportar a carga total do veículo, danificando. Esses danos podem dar origem a um acidente nessa altura ou posteriormente, porque há danos invisíveis nos pneus que podem originar problemas noutra altura.

Fonte: revistadospneus

Publicado por

Marcelo Oliveira

Profissional com experiência consolidada na Gestão de Frotas em empresas de serviços de transporte ou com parque automóvel de volume. Mais detalhes em https://marceloxoliveira.com/quem-e-marcelo-oliveira

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