Comprar carro novo, trocar ou conservar?

FOTO-ENTRADA_thumb_medium300_201Apesar do sector automóvel ser no seu conjunto a terceira economia global, parece que ninguém realmente está a fazer muito dinheiro com a venda dos carros, começando pelos próprios construtores. Com uma enorme capacidade industrial instalada, as marcas não têm grandes alternativas, a não ser produzir na máxima escala, para obter a máxima margem. De repente, cai-lhes em cima a crise do ambiente e a pressão das emissões de escape, a crise do petróleo e a pressão dos preços dos combustíveis, a crise financeira global e a pressão das vendas que não acontecem. Claro que há a possibilidade das vendas directas da fábrica (frotistas, locadoras, leasing, etc.), mas a margens reduzidíssimas e com a garantia de retoma dos carros a curto prazo.

Se vamos para as redes oficiais de concessionários, apenas conseguem alguma rentabilidade no pós venda e às vezes nos carros usados, uma vez que os carros novos são praticamente “oferecidos”. Pelo seu lado, os comerciantes de usados vivem momentos de angústia, porque os stocks comem a margem, clientes não há muitos, os combustíveis só descem, quando as portagens aumentam, etc.. Ali ao lado há os leilões, os comerciantes “furtivos”, os negócios particulares, etc. Restam os proprietários particulares de veículos, quando têm necessidade de vender o seu carro. Conseguem eles realizar o que pretendem na venda do carro, neste contexto? Muito dificilmente. Salvo algumas promoções específicas, apoiadas em marketing de grande intensidade, os concessionários não têm margem para valorizar as retomas. Se o automobilista, decepcionado, tenta vender o carro directamente, tem que esperar que apareça um interessado e que não seja um vigarista profissional.

O automóvel é um luxo?

FOTO-1_thumb_medium299_186Certamente que sim. Pelo facto de haver sectores mais amplos da sociedade com “maior” poder de compra e quase toda a gente ter um carro, a mobilidade privada sempre foi e sempre será um luxo, não só devido ao capital que tem que ficar imobilizado, sem retorno garantido, mas por todos os custos associados que implica (seguros, combustíveis, portagens, estacionamentos, manutenção, etc.). O que acontece em muitos casos é a “democratização” do automóvel verificar-se, mas à custa de várias “falhas” fora da legalidade: sem seguro, sem manutenção, sem inspecções e algumas vezes até sem carta de condução… Isto quer dizer que os luxos pagam-se. Muitas pessoas poderiam verificar facilmente que o que gastaram com o carro durante os últimos anos (se fizessem contas…) dava perfeitamente para o passe social, para andar de táxi quando fosse preciso e ainda sobrava muito dinheiro. Claro que há pessoas que dependem do transporte individual e não há hipóteses de fazer contas, porque é a única solução. Locais de residência afastados, empregos distantes, actividades profissionais e outros condicionalismos acabam por impor a necessidade do automóvel, mesmo a quem poderia passar sem ele. É para esses casos que o automóvel existe, mesmo sendo um luxo, começando pela incidência fiscal, que em Portugal é francamente exagerada, porque constitui uma forma viciada de financiamento dos cofres do estado.

Compensa comprar um carro novo?

FOTO-2_thumb_medium300_199Depende do estatuto económico e social de quem compra o carro. Quem tiver possibilidades ou até dinheiro sem uso e estiver disposto a perder dinheiro, a começar pelos impostos pagos à cabeça, é uma opção que pode garantir autonomia em muitas situações e conforto nas deslocações. A segurança já não é bem assim, porque a moda do “car jaking” pode sair na lotaria a qualquer um. A vantagem da garantia do carro em novo é real, porque já está paga pelo beneficiário e faz parte de um contrato. Portanto, para os que sabem que o automóvel é um luxo, podem e querem pagar por isso, a opção da compra do novo é um negócio normal, excepto para ganhar dinheiro… Melhor negócio é os que beneficiam de isenção fiscal e podem comprar o carro sem pagar impostos (directa ou indirectamente…), assim como os que têm carros das empresas ou carros do estado (a melhor solução de todas…). Depois, há as pessoas que precisam mesmo do carro e fazem sacrifícios para o adquirir e para o conservar. Estas pessoas precisam realmente de fazer muitas contas e de pensar muito bem em todas as opções. No mercado de usados há boas oportunidades a preços equilibrados, mas é preciso procurar e ter sorte. Um bom carro com 4/5 anos de idade e 80-100 mil/km, ainda pode prestar bons serviços, sem qualquer problema, por mais meia dúzia de anos. Depois disso, é preciso começar a fazer contas à manutenção, o que não quer dizer que não seja vantajoso conservar o carro ainda durante mais tempo.

Trocar de carro, ou não?

FOTO-3_thumb_medium300_199A resposta a esta questão não é muito simples, porque nos deparamos com situações muito díspares, tanto em termos de veículos, como no que respeita aos seus proprietários. Começando pelo topo da tabela, ou seja, aqueles carros de alto custo em que se perde fatalmente muito dinheiro e as pessoas com bens de fortuna e/ou rendimentos elevados, o único critério de troca que se coloca é o gostar ou não gostar e o estar satisfeito ou não estar satisfeito. É por isso mesmo e para satisfazer esse tipo de procura que existe o segmento das viaturas de luxo, super desportivos e modelos prestígio. Não adianta estar a dizer o que é que essas pessoas deveriam fazer ao trocar de carro, porque são geralmente pessoas muito bem informadas e que não tomam decisões sem estudar o assunto. De qualquer modo, perder num carro o que se gasta numa “soirée” ou numa ida ao casino, não tem assim grande significado. Haja saúde!
A questão da gestão da propriedade de um carro ao longo do tempo também não é grande problema para aquele estrato socioeconómico intermédio, no qual existe margem de manobra suficiente para superar algumas situações menos lucrativas ou até mesmo penalizantes. O problema dessa gestão só começa a levantar-se para aquelas famílias, indivíduos ou empresas em que a margem de manobra é escassa ou inexistente. Nesses casos, um passo em falso pode significar ter que passar por algumas dificuldades e deve ser portanto evitado.
A estratégia de trocar o carro no final da garantia de fábrica (3/4 anos) tem feito escola em muitos sectores, porque corresponde ao fim do ciclo de amortização do capital e do ciclo de manutenção sem problemas. No fundo, as pessoas sabem que para dispor de um carro têm que cativar um rendimento mensal mais ou menos fixo e isso dá-lhes uma certa segurança, desde que tenham possibilidades de assumir o encargo. Mesmo assim, as contas já estão feitas há muito tempo e não há dúvida que essa opção implica custos, cerca de 10/12.000 Euros (2.500-3.000 Euros/ano), para um modelo do segmento familiar médio. Fazendo as contas, isso corresponde aos impostos (irrecuperáveis), à garantia (irrecuperável) e à desvalorização. Nesta última parcela, existe uma certa margem de manobra, porque um carro bem estimado e com uma manutenção impecável vende-se geralmente melhor, ou pelo menos mais facilmente.

Conservar o carro depois da garantia

FOTO-4_thumb_medium300_237Esta estratégia pode ser uma boa aposta, desde que a pessoa saiba o carro que tem, como o estimou e como lhe fez a manutenção, e desde que se disponha a seguir essa linha até ao final do ciclo de vida da viatura, ou até resolver trocá-lo. De certo modo, a garantia de sucesso desta opção reside em grande parte na forma prudente e defensiva de conduzir a viatura, na manutenção preventiva sem falhas e noutros cuidados comuns (recolha em garagem, não deixar o carro ao sol forte durante muito tempo, lavagem frequente, etc.).
Aquilo que o proprietário lucra com esta opção é o que o proprietário consumista (aquele que troca o carro sempre no final da garantia) perde, isto é, mais ou menos 10/12.000 Euros, para o tal modelo de gama média. Além disso, o automobilista pode decidir por quantos anos deixa de ter que pagar o carro e o que fazer com esse dinheiro.
Também há aquelas pessoas que ficam com o carro, depois de o amortizar, porque não têm possibilidades de continuar a pagar um carro novo. Tal como no caso anterior e qualquer que seja o estado da viatura, a hipótese de conservar o carro durante mais uns anos, sem grandes despesas, depende de uma forma de utilização racional, por um lado, assim como de uma manutenção preventiva cuidada, por outro lado. Em qualquer dos casos, uma coisa que poderia fazer sentido para os proprietários de carros usados (mais de 4/5 anos de vida) era entrar em acordo ou fazer um contrato de manutenção preventiva com oficinas ou redes de oficinas de reparação/manutenção automóvel. Essa estratégia poderia beneficiar de custos de manutenção controlados e regulares, evitando as reparações inesperadas de elevado custo, que em certos casos pode ultrapassar o valor economicamente rentável de intervenção.

Fonte: jornaldasoficinas

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Publicado por

Marcelo Oliveira

Profissional com experiência consolidada na Gestão de Frotas em empresas de serviços de transporte ou com parque automóvel de volume. Mais detalhes em https://marceloxoliveira.com/quem-e-marcelo-oliveira

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