Como financiar eléctricos

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O Corporate Vehicle Observatory lançou, recentemente, um documento sobre veículos elétricos. Considerando este tipo de carros como uma tendência do momento, o centro de estudo da Arval passa por cima das mais importantes questões relacionadas com o tema, incluindo mesmo um capítulo sobre os formatos de comercialização e o papel que as empresas de locação poderão ter neste negócio. Tentava-se saber se com este novo modelo de negócio, se deve comprar, alugar ou subscrever.

Mas antes disso, o relatório fala dos constrangimentos à introdução desta tecnologia no mercado automóvel, sem acrescentar muitas novidades ao que já é sempre apontado pelos mais cépticos: autonomia reduzida, velocidade limitada, postos de carregamento limitados e um tempo de carregamento longo fazem parte dessa lista. Por outro lado, nas vantagens, dá grande importância aos custos de manutenção, dizendo mesmo que são “ultra-baixos”.

O diretor do estudo, Philippe Brendel, que é ao mesmo tempo o presidente do observatório, fala de um ressurgimento do carro elétrico. Mas em que termos? E que papel terão as locadoras em tudo isto? E as empresas, têm mesmo argumentos para seguir esta tendência?

O relatório fala de uma margem de segurança ou um prémio de risco como condição para saber que tipo de modelo de financiamento poderemos ter para os elétricos. Pode explicar um pouco mais?

Para estabelecer um modelo de financiamento, é necessário tomar em conta o valor de venda do carro em usado. A oferta e a procura no mercado em segunda mão de modelos elétricos e híbridos ainda não existe e é essencial determinar um valor que, por causa da falta destes valores, possa ser subvalorizado ao início mas ajustado ao longo do tempo.

Os custos totais de utilização são um fator de comparação entre os carros elétricos e os outros. O relatório publicado diz que os veículos comerciais elétricos têm custos semelhantes aos de combustão. Mas as empresas não estão a comprar estes veículos com a mesma apetência. Porquê?

Algumas empresas decidiram comprar veículos elétricos para experimentar. E, de facto, há dois tipos de carros: os de passageiros e os comerciais ligeiros.

Para o primeiro caso, o equipamento ainda é muito caro, o que se tornou ainda mais visível quando os construtores decidiram dividir o custo do carro e a bateria. Mas a autonomia é um grande handycap: limita o desejo de equipamento. É assim que, ao nível dos frotistas, o interesse no veículo elétrico “individual” está limitado atualmente a frotas de carsharing que possam substituir a utilização de táxis.

No segundo caso, os veículos comerciais estão destinados para tarefas específicas e a duração da sua utilização é conhecida. Sobretudo, quando são utilizados para entregas. A autonomia pode ainda ser um impedimento, mas não tanto como para os carros de passageiros. Podemos ser otimistas, mas sem mentir às empresas.

O mercado de usados e os valores residuais dos veículos são um problema para a locação destes veículos?

De facto, a grande questão é o valor residual do veículo, ou seja, o valor de revenda depois de alguns anos de uso. Hoje em dia, não há mercado secundário para os veículos elétricos. As empresas têm medo do desconhecido, por isso preferem ser cautelosas.

É difícil fazer uma estrutura de preço para o aluguer destes veículos?

Para os utilizadores, um modelo económico estável no veículo elétrico continua a ser relativamente difícil de conseguir. Temos experiências semelhantes nos veículos híbridos com motores de combustão, mas a chegada dos “híbridos plug-in” e elétricos leva-nos para o desconhecido. Este fator, que não é familiar, é a duração efetiva dos packs de baterias.

Mas foram feitos progressos consideráveis em menos de dez anos. Actualmente, algumas tecnologias mostram uma duração maior.

O que é que podemos esperar dos novos players da indústria automóvel?

A chegada maciça de fabricantes no campo de veículos elétricos gerou um grande crescimento a nível dos meios de produção, com reflexo nos volumes produzidos e um efeito direto numa redução gradual nos custos.

Mas continua a haver uma questão importante, que é o preço atual das baterias. Em 2010, este ia desde os 12 aos 15 mil euros em média para uma berlina de cinco portas e 1.300 kg. Devido a maior concorrência, estes preços começaram a cair e continuam hoje em dia. As previsões para 2016, rondam os seis mil euros. Daqui a dez anos, abaixo de quatro mil euros. Isto para um pack de baterias semelhante.

As mudanças estão a acontecer. De certa forma, lembram os micro-híbridos e o Stop&Start. Eram caros em 2005, vendiam-se apenas algumas unidades, mas depois muitos fabricantes adotaram essa tecnologia e são esperados 10 milhões de carros com esses sistemas em 2015.

O número de veículos elétricos e híbridos apresentado em Geneva e Paris este ano mostram a tendência na industria automóvel em 2012: a eletrificação dos carros. E vai continuar a crescer, pressionando os motores de combustão desenvolvidos para reduzir o seu consumo de energia e as emissões de CO2.

Fonte: fleetmagazine

Nota: relatório original disponível aqui.

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