Tendências gerais indústria automóvel

untitledO panorama competitivo da nossa indústria, na última década, foi uma globalização e consequente consolidação. Isto é evidente, tanto em termos de fabrico como de distribuição. O processo de consolidação apresenta oportunidades para assegurar maiores eficiências e melhores economias de escala. No fabrico, isto resultou numa tendência crescente para negócios de fusões e de aquisições e para a formação de alianças e “joint ventures”.

O desenvolvimento de mercados como, por exemplo, a China, Índia Rússia e Brasil (BRIC), resultou, sem excepção, numa mudança da produção de automóveis para o leste. Os fornecedores de Fabricantes de Equipamento Original (OEM) devem ser capazes de servir os clientes numa base global. A dinâmica da procura global de automóveis também mudou, o que significa que são necessários mais recursos de produção nos mercados do BRIC em rápido crescimento. Ao mesmo tempo, os requisitos de capacidade estão a reduzir em mercados ocidentais maduros como, por exemplo a Europa e os Estados Unidos da América.

Assim, os fornecedores de OEM estão a seguir a direcção do negócio e a estabelecer rapidamente uma presença significativa, em termos de fabrico, nestes países. Os planos de expansão da TRW na China, por exemplo, são impressionantes. O negócio está a: investir num Centro Técnico que alojará mais de 1000 engenheiros; desenvolver e construir sete instalações “de escala mundial” para servir o mercado doméstico de OEM e inaugurou recentemente uma fábrica de pastilhas de travão para o mercado de pós-venda.

Em qualquer indústria, a produção exige uma estratégia a longo prazo, não soluções a curto prazo. Os custos mão-de-obra baixos podem ser atrativos no início, mas o sucesso a médio e longo prazo destas instalações é construído com base em benefícios mais sustentáveis de produção optimizada e de desenvolvimento do processo.

Como exemplo, os custos de mão-de-obra (incluindo benefícios) com operários em Guangdong, China, aumentaram 12 por cento, ano após ano, entre 2002 e 2009, comparados com os oito por cento nas Filipinas e um por cento no México. Joerg Wuttke, um industrial experiente da Câmara de Comércio da UE na China, prevê que o custo de produção na China poderá duplicar e até mesmo triplicar em 2020.

Outra questão chave é a cadeia de fornecimento alargada que é criada, quando um fabricante aumenta a sua presença em termos de produção. Para assegurar o desenvolvimento do processo em concordância com os mercados maduros, as empresas necessitam de aumentar, da mesma forma, os recursos de gestão do produto.

Os fabricantes que confiam apenas na mão-de-obra barata para proporcionarem eficácia nos custos – sem investir no desenvolvimento das suas instalações e funcionários – estarão em dificuldades num futuro próximo. As nossas equipas de produtos asiáticas, sedeadas em Xangai e em Singapura desempenham um papel fundamental, garantindo que nós controlamos efetivamente o planeamento da procura global e o desenvolvimento do produto. Elas são parte integrante do que se tornou uma capacidade global de gestão de produto.

O mercado de pós-venda também tem a questão do volume para resolver. As instalações de OEM são concebidas para lidarem com os sistemas de grandes volumes e de baixa variedade, enquanto os programas do mercado de pós-venda necessitam de oferecer uma cobertura elevada de parque automóvel para veículos até 20 anos de idade. Isto significa que as instalações têm de ser capazes de lidar com milhares de referências, muitas das quais têm uma procura relativamente baixa.

Para gerir este requisito, os fornecedores devem desenvolver fábricas dedicadas ao mercado pós-venda que funcionam com processos de fabrico por pequenas células, para gerir a procura de baixa volume e grande variedade. Esta estratégia é vital para a sustentabilidade da cadeia de fornecimento de forma eficaz.

A presença, em termos de fabrico, que os fornecedores estabeleceram nas atuais economias em desenvolvimento, vai funcionar ao longo de décadas e o seu sucesso a longo prazo está dependente de servirem mercados domésticos com elevado volume fornecendo escalas económicas muito grandes. A presença em termos de fabrico depende fortemente dos recursos e do conhecimento do cliente. Para contextualizar, o movimento em direção a uma base de fabrico global alargou os prazos da cadeia de fornecimento de cerca de seis semanas para 14. Parte deste desafio foi cumprido através de um aumento do investimento no inventário, mas esta não pode ser a solução total.

Da perspectiva do planeamento da procura, trabalhámos em estreita colaboração com os nossos clientes de OES e utilizamos uma metodologia de previsão fiável. No mercado pós-venda independente isto é muito mais difícil, principalmente devido ao facto de que muito poucos fornecedores têm uma posição exclusiva junto dos seus clientes. Por todo o mundo os distribuidores terão mais do que um fornecedor em cada categoria principal de produto. Uma simples actividade promocional pode fazer com que a procura mude de um fornecedor para outro numa questão de dias.

Os fornecedores necessitam de trabalhar em mais estreita colaboração com os clientes para compreenderem antecipadamente os planos promocionais e objectivos de crescimento do mercado.

Um resultado da consolidação em curso no sector da distribuição de peças é o aumento na escala e âmbito de clientes, que conduziu a um desenvolvimento na especialização funcional como, por exemplo, na logística, na gestão de produto e no marketing. Isto poderia ajudar os fornecedores a entrarem em contacto com os clientes a um nível cada vez mais pormenorizado para melhorar a precisão do planeamento. Cabe aos fornecedores desenvolverem processos e trabalharem em mais estreita colaboração com os distribuidores de forma a optimizarem a produção, darem assistência à cadeia de fornecimento e oferecerem uma melhor disponibilidade.

Fazer isto exige um investimento financeiro considerável ao nível das pessoas, do inventário e dos sistemas, mas no final, o mercado de pós-venda automóvel deve ser a excelência da cadeia de fornecimento. A complexidade do parque automóvel e o aumento da sofisticação tecnológica requerem nada menos do que isso.

Os fabricantes e distribuidores que dão prioridade ao custo de componentes e a abastecerem-se nos mercados de baixo custo atuais, sem investimento a longo prazo, vão considerar os próximos três a cinco anos particularmente difíceis.

Bob Lightfoot, Director Global de Marketing e Compras, TRW Automotive Aftermarket.

Fonte: jornaldasoficinas

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Publicado por

Marcelo Oliveira

Profissional com experiência consolidada na Gestão de Frotas em empresas de serviços de transporte ou com parque automóvel de volume. Mais detalhes em https://marceloxoliveira.com/quem-e-marcelo-oliveira

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