Desafio: Gerir Frotas em Angola

Um homem nunca sabe aquilo de que é capaz até que o tenta fazer. (Charles Dickens)

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Dado o actual contexto macroeconómico vigente em Portugal, com uma evidente e crescente desaceleração da actividade económica, muitos têm sido os profissionais ligados à Gestão de Frotas que têm optado por exercer a sua profissão noutros países, sendo Angola um dos destinos mais procurados, uma vez que a sua economia enfrenta um crescimento de dois dígitos.

No entanto, e tenho em conta a minha experiência profissional, pois já tive o privilégio de trabalhar naquele país, tenho sido inúmeras vezes questionado e abordado para partilhar a minha visão sobre a mesma.

Assim, o objectivo desde artigo é esclarecer todos aqueles que, por opção ou imposição, têm como objectivo trabalhar e viver nesse maravilhoso país.

O profissional deverá focar a sua atenção em quatro pontos fundamentais, que poderão ditar o total fracasso ou total sucesso do seu compromisso: aspectos de âmbito comportamental, financeiro, técnico e legal.

Comportamental

Dispa-se de todas ideias e conceitos europeus: muitas pessoas pensam que trabalhar em Angola é para quem quer. É um erro básico. Angola é para quem pode. Por isso, grande parte do que julga saber sobre o país está profundamente errado.

A alegria e optimismo dos angolanos são contagiantes, mas deveremos contar, na generalidade, com profissionais poucos qualificados na área da gestão de frota, o que nos obriga a realizar frequentemente tarefas básicas.

As contrariedades serão muitas, sendo um verdadeiro, constante e impiedoso teste à sua inteligência emocional, mas não desanime, procurando ouvir mais do que falar, adaptando-se à cultural local. Jamais caia no erro de esperar que os angolanos se adaptarão a si.

Financeiro

A realidade dos preços é um choque, onde apenas o tabaco e os combustíveis são substancialmente mais baratos que na Europa.

Planeie a gestão da sua frota tendo em conta inúmeras variáveis:

* Aumento do stock de segurança para peças e substituíveis (por norma, é de seis meses), para evitar o recurso ao mercado local, substancialmente mais caro;

* As comunicações, especialmente o acesso à internet, é deficiente, dificultando o acesso a ferramentas de rastreabilidade de viaturas;

* A compra directa é ainda o meio mais utilizado, mas começam a surgir produtos de renting, especialmente para os pesados, mas ainda são muito incipientes;

* O seguro automóvel é obrigatório apenas desde 1 de Fevereiro de 2010, mas ainda são muito aqueles que não os contrataram, essencialmente por razões económicas, pois é muito oneroso. Como curiosidade, refira-se que os seguros de responsabilidade civil (vulgo “para terceiros”) terem sempre uma franquia associada. Ou seja, mesmo que seja o terceiro o responsável pelo sinistro, deverá o lesado pagar sempre franquia…

Técnico

O Gestor de Frota em Angola deverá ser portador de elevadíssimos conhecimentos técnicos, não só teóricos, mas especialmente do ponto de visto prático. Se não os tiver, existe formação profissional disponível no mercado.

Com estes conhecimentos, será frequentemente forçado a demonstrá-los, pois, como já referido acima, os profissionais angolanos têm, por norma, pouca formação. Ver-se-á, várias vezes e involuntariamente, na posição de formador, sendo muito gratificante ver a evolução técnica de alguns destes profissionais.

No entanto, tive o prazer de conhecer alguns profissionais angolanos, especialmente aqueles ligados ao sector automóvel, com elevados padrões técnicos, mas essencialmente adquiridos em contexto laboral.

Legal

Em termos globais, o assunto mais complicado para os portugueses ainda é a questão do visto. Primeiro, todo o processo de obtenção do visto e depois todos os processos de renovação dos próprios vistos de trabalho é sempre um processo complicado. Outra dor de cabeça é encontrar uma casa em condições, mas esta questão variará, de acordo com o pacote salarial negociado.

Em Angola, onde quer que esteja, tenha sempre o passaporte perto de si. Sempre.

É possível trocar a sua carta de condução portuguesa por uma angolana, sem grandes complicações legais. No entanto, e como já tive oportunidade de mencionar num artigo anterior, o Gestor de Frota que for responsável por frota de pesados, aconselho-o veementemente a ter carta de pesados. Afinal, em Angola tudo acontece, e posso garantir que será muito útil.

Artigo publicado na revista FLEETMAGAZINE, edição de Dezembro/2012 (ver original aqui)

Marcelo Oliveira

Gestor de Frota

www.marceloxoliveira.com

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Publicado por

Marcelo Oliveira

Profissional com experiência consolidada na Gestão de Frotas em empresas de serviços de transporte ou com parque automóvel de volume. Mais detalhes em https://marceloxoliveira.com/quem-e-marcelo-oliveira

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