Seguro Motos. Prepare-se para contornar obstáculos

Apesar de este mercado ter crescido com a nova lei das 125, os seguros são caros e têm muitas restrições

O aumento contínuo do preço dos combustíveis – desde o início de Julho, quando se iniciou o mais recente ciclo de aumento das cotações dos combustíveis nas bombas, o gasóleo registou uma subida acumulada de 8 cêntimos e a gasolina aumentou cerca de 7,5 cêntimos – estão a mudar os hábitos dos consumidores. Estes começam a encostar os carros e a comprar motos. Mesmo que ainda assim, os preços dos combustíveis se encontrem abaixo dos recordes registados em Março e Abril deste ano: cerca de quatro cêntimos abaixo no caso do gasóleo e nove cêntimos no caso da gasolina.

Foi esta vantagem de poupança que levou Roberto Silva, técnico de marketing, a optar por uma mota. “Estava a gastar cerca de 150 euros por mês só para fazer o percurso casa/trabalho e agora não chego a despender 50 euros mensais, sem falar no dinheiro que poupo no estacionamento”, refere ao i.

Uma opinião partilhada por Carla Fonseca que rapidamente trocou o seu Seat Ibiza por uma Vespa. Além da poupança de combustível, a professora diz que chega todos os dias à escola “muito mais descansada porque foge das longas filas de trânsito”.

Estes não são casos isolados e, apesar da quebra generalizada de vendas, o mercado de duas rodas consegue resistir melhor à crise. De acordo com os últimos dados da Associação Automóvel de Portugal (ACAP), assistimos a uma quebra de vendas superior a 40% nos veículos automóveis, enquanto a venda de motociclos registou uma descida na ordem dos 12%. As motos de cilindrada até 125 centímetros cúbicos são as que estão a conquistar mais os portugueses: além do preço ser mais baixo está aliada à vantagem de ser possível conduzir com uma carta de ligeiros.

Seguros Mas nem tudo são vantagens. Os principais obstáculos surgem no momento da realização do seguro. Pela natureza do risco envolvido, muitas seguradoras põem entraves na subscrição do seguro para motas. Regra geral, só aceitam cobertura de responsabilidade civil, ou seja, apenas sobre danos materiais (no valor de 600 mil euros) e corporais (no valor de 1,2 milhões de euros). É este o mínimo que a lei exige. A verdade é que, na generalidade dos casos, é mais difícil fazer um seguro para moto do que para um carro.

Há ainda outras condicionantes impostas pelas companhias e que acabam por influenciar o preço a pagar. Se, por um lado, a probabilidade de ter um acidente é maior no caso de uma moto, há, por outro lado, vários factores que ditam o valor a cobrar e que acabam por penalizar o prémio final. Um seguro para uma pessoa de 18 anos será diferente do de um indivíduo com mais de 25 anos. Também a cilindrada e o modelo do motociclo são outros factores com influência nas companhias de seguros, assim como a zona de residência (ver tabelas e caixa ao lado).

Mas as dificuldades não se ficam por aqui. A grande maioria das seguradoras só aceita fazer um seguro para uma moto se o condutor já for cliente ou se tiver um cadastro limpo. Se isso não acontecer, então essa tarefa pode ser vista quase como uma “missão impossível”.

“A maioria das companhias não coloca entraves, mas algumas continuam a exigir clientes com cadastro limpo, isto é, sem acidentes declarados, bem como um pacote com outros seguros”, chama a atenção a Associação de Defesa do Consumidor (Deco).

Outro entrave diz muitas vezes respeito à contratação de uma cobertura mais abrangente, como a de danos próprios. Regra geral, é mais fácil para quem tiver uma boa carteira de seguros ou optar por comprar moto através de leasing. Nesse caso, além da responsabilidade civil, as locadoras exigem seguro de danos próprios do veículo. Este cobre os prejuízos causados por choque, colisão, capotamento, incêndio, raio, explosão e furto ou roubo, quando não há um terceiro responsável. Por exemplo, basta perder o equilíbrio e bater num carro parado na rua causando danos na chapa e na pintura, que a reparação fica por conta da seguradora.

A Deco diz, no entanto, que caso o condutor tenha dificuldade em subscrever um seguro para motos deve reunir as declarações de recusa de três seguradoras e deve apresentar as mesmas no Instituto de Seguros de Portugal (ISP) que se encarregará de nomear uma. Quando estiver a comparar as várias propostas, não se esqueça que deve ter em conta se as mesmas são comparáveis, já que há pacotes que umas seguradoras podem contemplar e outras não. Para comparar diferentes propostas com rigor, deve definir primeiro as coberturas que lhe fazem realmente falta ou se justificam.

Fonte: ionline

Publicado por

Marcelo Oliveira

Profissional com experiência consolidada na Gestão de Frotas em empresas de serviços de transporte ou com parque automóvel de volume. Mais detalhes em https://marceloxoliveira.com/quem-e-marcelo-oliveira

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